A expressão “calhou-me a fava” significa que a pessoa ficou com a pior
parte, a tarefa mais difícil ou ingrata de uma situação. Originária da tradição
do Bolo-Rei, quem encontra
a fava seca na fatia assume o custo ou responsabilidade do próximo bolo. É
sinónimo de azar ou de um encargo inesperado.
Ora foi precisamente o azar e um encargo inesperado que me levam a
escrever estas linhas, em tom de desabafo.
Não há dúvida que a Tiger 800 tem demonstrado ser um modelo ideal para
quem procura uma mota fácil de conduzir, ágil, potente q.b., confortável, capaz
de transportar com à-vontade passageiro e bagagem e que permite enfrentar sem
problemas qualquer tipo de estrada ou caminho. As viagens que tenho efectuado
aos seus comandos são disso um bom exemplo, em cenários tão diferentes como a Ilha
da Madeira, Marrocos
ou os Pirenéus.
Estava assim longe de imaginar que, apenas 7 anos e cerca de 40.000 km
depois, as coisas acabariam por descambar. Num dia igual a tantos outros, logo
após ter saído de casa, fui surpreendido por um inesperado mau funcionamento ao
nível do motor da Tiger 800. Apesar de não ter formação em mecânica, apercebi-me
logo que deveria estar perante um problema sério.
Mais tarde, já no concessionário da Triumph em Lisboa e após uma
intervenção de “coração” aberto, o diagnóstico indicou uma falha ao nível dos
componentes do motor, mais concretamente um acentuado desgaste nas capas das
bielas. A causa não foi identificada, mas o prejuízo iria ser inevitavelmente elevado,
na ordem de alguns milhares de euros!
Incrédulo, questionei como foi possível o motor ter sofrido um desgaste
tão prematuro e com consequências tão gravosas? Ainda para mais, sabendo que todas
as manutenções da mota foram efectuadas no concessionário e dentro dos prazos
definidos pela marca? Quem deveria então assumir a responsabilidade pelo
sucedido?
Era espectável, achava eu, que uma marca como a Triumph, referência no
setor das duas rodas e que prima pela qualidade dos seus produtos, devesse, de
alguma forma, chamar a si o ónus desta situação. Senão na totalidade, pelo
menos parcialmente, para salvaguarda do seu bom nome e da satisfação dos seus
clientes.
Na prática, a posição da Triumph Lisboa sobre este assunto foi simplesmente
a de imputar a responsabilidade total da reparação ao cliente. Isto apesar do
reconhecimento da improbabilidade da ocorrência reportada no motor da Tiger 800!!!
E nem mesmo uma exposição à Triumph Motorcycles Limited (Hinckley) sobre
esta inesperada, repentina e grave avaria, levou a um desfecho diferente,
alegando que: “Considerando que o período de garantia da sua Tiger expirou
há algum tempo, receio que não possamos ajudá-lo com esta questão. Embora
realizemos testes rigorosos às nossas motos, existirão sempre vários fatores
fora do nosso controlo que podem influenciar um problema. Assim sendo, embora
lamentemos estas circunstâncias, não existe uma solução alternativa que lhe
possa oferecer”. Pois...
No final de todas estas peripécias e independentemente do seu desfecho,
uma coisa é certa, a minha confiança na marca Triumph e nos seus produtos
(motas), foi severamente abalada e nunca mais será a mesma. Manter-me como
cliente Triumph? Certamente que não será por muito mais tempo.
Definitivamente, é caso para dizer que me calhou a fava!
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