A 10.ª edição do Lisbon Motorcycle Film
Fest (LxMFF 2026), realizada entre os dias 22 e 24 de maio de 2026, celebrou
uma década de união entre o cinema e a cultura das duas rodas no Cinema São
Jorge. O evento deste ano consolidou-se como o maior ponto de encontro nacional
para realizadores, construtores de motas e aficionados, expandindo-se pela
primeira vez para fora das salas de cinema convencionais.
O dia de Sábado, tradicionalmente o mais preenchido em termos das actividades
programadas, foi o escolhido para a minha deslocação a este (já) grande evento,
que em 2026 celebrou 10 anos de muitos quilómetros de “película”, terra e
asfalto.
Uma vez mais, os motociclistas tiveram um espaço à disposição para
deixarem os seus capacetes e blusões, circulando assim mais à vontade para
disfrutar do cenário montado pela organização alusivo à temática do evento
montado nos foyers (piso 0 e piso 1) do Cinema São Jorge.
Nestes espaços encontravam-se expostas cinco motas, com destaque para a gama
Heritage da BMW com as big boxer R 18:
O programa do X LxMFF para este dia teve início pelas 15h00 com a 1.ª sessão
de curtas-metragens na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), onde
foram exibidos 6 pequenos filmes:
Passion Not Taught – It Is Passed On
5’12” / Benedikt Merten / Alemanha / 2026
Um olhar sobre a jornada de Michael Weber na criação do Craftwerk Berlin
um refúgio físico em plena era digital, onde o trabalho manual e a partilha
presencial substituem os algoritmos para manter viva a verdadeira paixão pelo
motociclismo.
Rally Kats
12’44” / David Martinez / EUA / 2025
Kiyo e Kat, um casal japonês apaixonado pela cultura americana clássica,
atravessam os Estados Unidos da América de costa a costa em motas com mais de
cem anos, numa prova de resistência que testa a sua resiliência e devoção.
Why I Ride
7’45” / Matt Lara / EUA / 2025
“Why I Ride” acompanha Kurt e Dylan Winter, da Valley Cycles, em Los
Angeles, enquanto restauram motas Honda clássicas e refletem sobre o legado da
CB750. É em parte uma história de família, uma lição de história e,
principalmente, uma carta de amor ao motivo pelo qual andamos de mota em
primeiro lugar.
The Malle Mile
5’15” / Charlie Bristow / Inglaterra / 2026
Uma visão sobre o festival de corridas de motas mais “inapropriado” do
Reino Unido. Realizado anualmente nos terrenos de castelos ingleses, o evento
foca-se mais na diversão e na cultura do que na competição séria.
The Intensity of a Natural Path
7’12” / Konstantin Dellos / Alemanha / 2026
Um retrato íntimo sobre a Maria Riding Company e a filosofia de um dos
seus criadores, explorando como o punk rock, o surf e a personalização de motas
se fundem numa busca constante pela intensidade e pelo trabalho manual
autêntico.
Newcombers
5’56” / Aaron Romo / EUA / 2026
Liz Sands e o seu parceiro Tank vivem no isolado e icónico Newcomb’s
Ranch, onde se dedicam a um treino intensivo para alcançarem o sonho de se
tornarem pilotos profissionais de motociclismo.
Seguiu-se por volta das 16h00 a sessão Talk “Diaries Of
Travel” na Sala 2 (bilhete: 1,00 €), uma cativante apresentação do
simpático casal Anabela e Jorge, viajantes a tempo inteiro desde 2015. O Jorge
nasceu no Luxemburgo e a Anabela nasceu em Portugal. Conheceram-se em 2004 e,
desde então, têm partilhado as aventuras e as viagens da vida.
Em 2013, tiraram uma licença sabática do trabalho e viajaram pela
América Latina de mota. Quando regressaram, perceberam rapidamente que as suas
vidas tinham mudado. Perceberam que não queriam passar oito horas por dia
enfiados num escritório. Foi então que deixaram os seus empregos para se
dedicaram a tempo inteiro a um novo projeto nascido da sua viagem: Diaries Of é um testemunho real de
viagens que tem como objetivo inspirar as pessoas a explorar o mundo.
A 2.ª
sessão de curtas-metragens teve depois início às 17h30 na Sala Manoel de
Oliveira (bilhete: 5,00 €), com a exibição de 3 pequenos filmes:
Slowing Going Faster
24’25” / David Martinez / EUA / 2025
Uma meditação sobre a velocidade e o tempo que acompanha o mestre
construtor Alp Sungurtekin no regresso a Bonneville, onde persegue recordes em
máquinas criadas pelas suas próprias mãos.
The Big Ride
26’/ Séverine de Streyker/ Bélgica, Alemanha/ 2025
Privado da sua oficina em Berlim devido à especulação imobiliária,
Billy, um restaurador de motas antigas, decide fugir na sua mota, embarcando
numa viagem poética em busca de uma vida mais fiel a si mesmo.
The Prairie Pirates
9’25” / Mike Smith / EUA / 2025
Mike e Brady atravessam as paisagens do Nebraska em busca de motas de
motocross antigas, descobrindo pelo caminho que as verdadeiras relíquias são as
aventuras e as histórias que ficam para contar.
Logo após a exibição destas “curtas”, a organização chamou ao palco o
realizador Mike Smith para partilhar com a plateia a sua experiência na
produção da curta-metragem “The Prairie Pirates”.
Para celebrar os 10 anos do Lisbon Motorcycle Film Fest e como parte
integrante do programa, a organização decidiu (literalmente) elevar a parada
até ao terraço do Cineteatro Capitólio, no Parque Mayer, onde decorreu o LxMFF
Skytop Bike Show (entrada livre).
A apenas 3 minutos a pé do Cinema São Jorge, lá bem no alto e sob a luz
única de Lisboa, estiveram duas dezenas de motas em exposição – customizadas e
históricas – numa parceria com a Guarda Nacional Republicana. Os modelos
customizados foram da autoria da Bandit Garage, Bobbers &
Brothers Garage, Cafeina
Motorcycles, Flytox Custom,
Holy Moly Motorcycles,
iT Rocks!Bikes, Iron Custom Motors, Pitta Designs, Rusty Wrench Motorcycles e Unik Motorcycles.
A sessão
nocturna estava agendada para as 21h00, uma vez mais na Sala Manoel de
Oliveira (bilhete: 5,00 €), onde foi exibida uma única longa-metragem:
Racing Mister Farenheit
83' / Michael Rowley / EUA / 2024
Bobby Haas, um antigo magnata de 74 anos, abandona o mundo dos negócios
para perseguir um “toque de imortalidade”, tentando bater um recorde mundial de
velocidade em Bonneville com uma mota de sidecar construída à mão.
Na minha opinião, a escolha acabou por não ser a mais feliz para o final
de um dia de celebração do cinema e das motas. “Racing Mister Farenheit” é um documentário
soturno, demasiado intimista, que sofre com um ritmo lento e que, pelo
desenrolar da narrativa, acaba por se tornar sombrio e triste, tal como a dura
realidade que retrata. E se há algo de positivo a reter depois de ver o filme,
deverá ser, sem dúvida, que a vida é para ser vivida!
Para elevar o espírito e num ambiente que se quer de boa disposição, a
entrada do Cinema São Jorge foi a sala de estar dos participantes, onde, por
entre dois dedos de conversa e umas fresquinhas (sem álcool, claro), aguardavam
pelo início da “Make A Life a Night Ride”, o icónico passeio nocturno de mota por
Lisboa, com início e fim na Av. da Liberdade n.º 175, culminando pela noite
dentro com a Garage Party.
Para todos aqueles que não estiveram presentes no evento, aqui fica um pequeno
resumo do mesmo:













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