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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Arthur Lampkin RIP

Com um glorioso palmarés no FIM Motocross Grand Prix and Trophee des Nations, Six Days of Enduro e Scottish Six Days Trial, o piloto britânico Arthur Lampkin deixou-nos no passado dia 21 de fevereiro, quando ia completar a bonita idade de 88 anos.

Arthur Lampkin (1938-2026). Via

Filho mais velho de uma dinastia motociclista de Yorkshire, Arthur Lampkin competiu em diversos eventos de motociclismo off-road, como trial, motocross e enduro. Na década de 1960, Lampkin tornou-se membro da equipa de fábrica BSA junto com seu irmão Alan. Juntamente com Dave Bickers e Jeff Smith, fez parte de um grupo de motociclistas britânicos que dominou o motocross nessa época.

Arthur Lampkin venceu o campeonato nacional britânico de motocross 500cc em 1959 e o campeonato nacional britânico de motocross 250cc em 1961, o mesmo ano em que foi vice-campeão mundial de 250cc. Foi membro de duas equipas britânicas vencedoras do Trophée des Nations (1961, 1962) e cinco vitórias consecutivas como membro da equipa britânica de Motocross des Nations (1963-1967).

A tenacidade que demonstrava nas diversas competições de off-road, levou-o a vencer eventos prestigiados como o Scottish Six Days Trial de 1963 e o Scott Trial em 1960, 1961 e 1965. Lampkin também competiu internacionalmente em eventos de enduro, representando a Grã-Bretanha e conquistando a medalha de ouro no International Six Days Trial de 1966, realizado na Suécia.

Arthur Lampkin no Motocross Des Nations (1967). Via

Os irmãos mais novos de Arthur Lampkin, Alan e Martin Lampkin, também tiveram sucesso em competições de motociclismo off-road. Alan venceu o campeonato britânico de trial, enquanto Martin tornou-se campeão britânico de trial, além de vencer a primeira edição do Campeonato Mundial de Trial da FIM, em 1975. Para os mais distraídos, de referir que Martin Lampkin é o pai de Dougie Lampkin, um dos maiores pilotos de trial de todos os tempos, com 12 títulos de Campeão Mundial (durante a década de 90 e no início deste século), e que chegou a competir diversas vezes em Portugal.

Arthur Lampkin faleceu aos 87 anos, após uma luta contra o cancro.

R.I.P.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Mário Kalssas RIP

Nome icónico do desporto motorizado nacional, Mário Jorge da Rocha, conhecido no meio como Mário Kalssas, faleceu na manhã do dia 13 de Agosto de 2025 com 68 anos de idade, vítima de doença prolongada. A alcunha vem da parte do bisavô e foi durante a carreira desportiva que optou pela mudança para o seu nome de marca, com o K e os dois SS.


Multi-campeão nacional de motocross, o antigo piloto, natural e residente em Vagos, tornou-se um dos grandes nomes da modalidade nos anos 70 e 80. No seu palmarés contam cinco títulos nacionais – campeão de motocross em 250 cc (1987 e 1988) e em 500 cc (1987, 1988 e 1989). Foi ainda vice-campeão nacional por oito vezes.

Representou Portugal em todas as competições internacionais por seleções organizadas sob a égide da Federação Internacional de Motociclismo – Motocross das Nações (França, 1988), o Troféu das Nações (Suécia, 1984) e a Taça das Nações (Itália, 1981 e 1982 e Suíça, 1983). Esta presença constante em provas internacionais faz de Kalssas um dos dois únicos pilotos portugueses a competir em todas as edições realizadas.

Mário Kalssas começou a praticar a modalidade em 1973, em Vagos, na classe de 50 cc e com apenas 16 anos. Em 1974 surgiu a primeira prova (integrada nas festas locais), onde levou uma Casal 50 cc preparada pelo próprio ao segundo lugar. No ano seguinte, em 1975, surge o convite da E.F.S. para participar no campeonato nacional de juniores com uma 50 cc, ficando em 2.º lugar. Em 1976 e ainda com a E.F.S., integra o campeonato nacional de seniores numa 50 cc. Nesse mesmo ano começa também a correr em 125 cc, com uma Montesa. Acabaria por ser um ano menos conseguido, terminando em 4.º lugar.

Nas épocas de 1977/78/79, obteve bons resultados com uma Casal-Villa (rebranding da italiana Moto Villa 250 cc, uma das melhores motos de cross competição da época), conseguido conquistar por duas vezes o vice-campeonato. Em 1980 correu pela Forvel, classificando-se em 3.º lugar. Em 1981 e 1982 foi 2.º (Honda) e 3.º (Yamaha) em 125 cc, respetivamente. No ano de 1983 foi vice-campeão em 125 cc (Yamaha) e 3.º em 250 cc (Suzuki e Honda). Em 1984 foi 3.º em 125 cc (suzuki) e vice-campeão em 250 cc (suzuki).

Em 1985 deixa as 125 cc (por limite de idade) e, para além das 250 cc, começa também a correr com as 500 cc. Nesse ano é vice-campeão nas 250 cc (Yamaha) e 4.º nas 500 cc (Kawasaki). Em 1986 foi 3.º em 250 cc (Yamaha) e os anos de glória surgiriam em 1987/88/89 (Honda). Após 17 anos de competição, Mário Kalssas retirou-se das pistas no final da temporada de 1990 com um 3.º lugar em 250 cc e o vice-campeonato em 500 cc. Organizou depois uma escola de pilotagem, enquanto promovia diversas corridas de MX e SX.

R.I.P.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Paulo Pinheiro RIP

A notícia do falecimento de Paulo Pinheiro, fundador e actual presidente do conselho de administração do AIA – Autódromo Internacional do Algarve, apanhou todos de surpresa, dos mais variados sectores do País, bem como além-fronteiras. Paulo Pinheiro foi vítima de doença oncológica fulminante no passado dia 10 de Julho. Tinha 52 anos.
 
Paulo Pinheiro (1971-2024). Via
 
Engenheiro mecânico de formação e ex-piloto, Paulo Pinheiro foi um apaixonado por motores e pelo desporto motorizado. Como grande aficionado e visionário que era, idealizou a criação de uma estrutura no Sul do Portugal que beneficiasse não só pilotos e adeptos, mas igualmente toda a região algarvia, de onde era natural.
 
Em Outubro de 2008 nascia então o AIA, em Portimão, cujo circuito foi homologado pela F.I.M. a 11 de Outubro de 2008 e pela F.I.A. dois dias depois. A primeira prova oficial foi a última ronda do Mundial de Superbikes de 2008, disputada no dia 2 de Novembro. Estava assim criada a primeira parte do Algarve Motorsports Park, um projecto global que teve início em 2001.
 
Considerada uma das melhores infra-estruturas para desportos motorizados a nível mundial, o circuito do barlavento algarvio passou a fazer parte do calendário do Campeonato do Mundo de MotoGP desde 2020, tendo sido também o palco do regresso da Fórmula 1, em 2020 e 2021.
 
Na recta da meta do circuito do AIA, aos comandos da saudosa Honda VFR800Fi. Via
   
Em 2004, cria e torna-se Director de Equipa da Parkalgar Racing Team. Em parceria com a Honda, participa no Campeonato do Mundo de Motociclismo na categoria de Supersport, com o duplo objetivo de competir e promover internacionalmente o Autódromo. Este projeto terminaria em 2011, após a conquista de 12 vitórias e 2 vice-campeonatos Mundiais (lutou pelo título mundial de Supersport com pilotos como Josh Hayes e Eugene Laverty, e teve alguns dos melhores resultados de um piloto nacional com Miguel Praia).
 
Eugene Laverty e Miguel Praia (Parkalgar Honda). Via
  
Segundo o jornal desportivo online Maisfutebol, Paulo Pinheiro ter-se-á deslocado ao Sul de França para assistir a uma corrida do filho, Bernardo Pinheiro, que compete no campeonato ELMS – European Le Mans Series, no circuito de Le Castellet. Na altura sentiu uma forte dor abdominal, tendo-se dirigido ao hospital para ser observado. Foi diagnosticado com cancro no pâncreas, ficando internado em coma induzido, onde viria a falecer dois meses depois.
 
Paulo Pinheiro dedicou a sua vida ao desenvolvimento do desporto motorizado em Portugal e à afirmação do Algarve e do País como um dos grandes palcos internacionais deste desporto.
 
R.I.P.