segunda-feira, 20 de julho de 2026

X Lisbon Motorcycle Film Fest

A 10.ª edição do Lisbon Motorcycle Film Fest (LxMFF 2026), realizada entre os dias 22 e 24 de maio de 2026, celebrou uma década de união entre o cinema e a cultura das duas rodas no Cinema São Jorge. O evento deste ano consolidou-se como o maior ponto de encontro nacional para realizadores, construtores de motas e aficionados, expandindo-se pela primeira vez para fora das salas de cinema convencionais.

Cartaz oficial do LxMFF 2026. Via

O dia de Sábado, tradicionalmente o mais preenchido em termos das actividades programadas, foi o escolhido para a minha deslocação a este (já) grande evento, que em 2026 celebrou 10 anos de muitos quilómetros de “película”, terra e asfalto.

Muitas e variadas motas marcaram presença no X LxMFF.

Uma vez mais, os motociclistas tiveram um espaço à disposição para deixarem os seus capacetes e blusões, circulando assim mais à vontade para disfrutar do cenário montado pela organização alusivo à temática do evento montado nos foyers (piso 0 e piso 1) do Cinema São Jorge. Nestes espaços encontravam-se expostas cinco motas, com destaque para a gama Heritage da BMW com as big boxer R 18:

BMW R 18.

BMW R 18.

BMW R 18 Classic.

Norton Manx R Signature.

Honda WN7.

O programa do X LxMFF para este dia teve início pelas 15h00 com a 1.ª sessão de curtas-metragens na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), onde foram exibidos 6 pequenos filmes:

Passion Not Taught – It Is Passed On
5’12” / Benedikt Merten / Alemanha / 2026
Um olhar sobre a jornada de Michael Weber na criação do Craftwerk Berlin um refúgio físico em plena era digital, onde o trabalho manual e a partilha presencial substituem os algoritmos para manter viva a verdadeira paixão pelo motociclismo.

Rally Kats
12’44” / David Martinez / EUA / 2025
Kiyo e Kat, um casal japonês apaixonado pela cultura americana clássica, atravessam os Estados Unidos da América de costa a costa em motas com mais de cem anos, numa prova de resistência que testa a sua resiliência e devoção.

Why I Ride
7’45” / Matt Lara / EUA / 2025
“Why I Ride” acompanha Kurt e Dylan Winter, da Valley Cycles, em Los Angeles, enquanto restauram motas Honda clássicas e refletem sobre o legado da CB750. É em parte uma história de família, uma lição de história e, principalmente, uma carta de amor ao motivo pelo qual andamos de mota em primeiro lugar.

The Malle Mile
5’15” / Charlie Bristow / Inglaterra / 2026
Uma visão sobre o festival de corridas de motas mais “inapropriado” do Reino Unido. Realizado anualmente nos terrenos de castelos ingleses, o evento foca-se mais na diversão e na cultura do que na competição séria.

The Intensity of a Natural Path
7’12” / Konstantin Dellos / Alemanha / 2026
Um retrato íntimo sobre a Maria Riding Company e a filosofia de um dos seus criadores, explorando como o punk rock, o surf e a personalização de motas se fundem numa busca constante pela intensidade e pelo trabalho manual autêntico.

Newcombers
5’56” / Aaron Romo / EUA / 2026
Liz Sands e o seu parceiro Tank vivem no isolado e icónico Newcomb’s Ranch, onde se dedicam a um treino intensivo para alcançarem o sonho de se tornarem pilotos profissionais de motociclismo.

Os cartazes das 10 edições do Lisbon Motorcycle Film Fest (LxMFF).

Seguiu-se por volta das 16h00 a sessão Talk “Diaries Of Travel” na Sala 2 (bilhete: 1,00 €), uma cativante apresentação do simpático casal Anabela e Jorge, viajantes a tempo inteiro desde 2015. O Jorge nasceu no Luxemburgo e a Anabela nasceu em Portugal. Conheceram-se em 2004 e, desde então, têm partilhado as aventuras e as viagens da vida.

Em 2013, tiraram uma licença sabática do trabalho e viajaram pela América Latina de mota. Quando regressaram, perceberam rapidamente que as suas vidas tinham mudado. Perceberam que não queriam passar oito horas por dia enfiados num escritório. Foi então que deixaram os seus empregos para se dedicaram a tempo inteiro a um novo projeto nascido da sua viagem: Diaries Of é um testemunho real de viagens que tem como objetivo inspirar as pessoas a explorar o mundo.

“Diaries Of”: Um testemunho real de viagens para inspirar as pessoas a explorar o mundo.

A 2.ª sessão de curtas-metragens teve depois início às 17h30 na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), com a exibição de 3 pequenos filmes:

Slowing Going Faster
24’25” / David Martinez / EUA / 2025
Uma meditação sobre a velocidade e o tempo que acompanha o mestre construtor Alp Sungurtekin no regresso a Bonneville, onde persegue recordes em máquinas criadas pelas suas próprias mãos.

The Big Ride
26’/ Séverine de Streyker/ Bélgica, Alemanha/ 2025
Privado da sua oficina em Berlim devido à especulação imobiliária, Billy, um restaurador de motas antigas, decide fugir na sua mota, embarcando numa viagem poética em busca de uma vida mais fiel a si mesmo.

The Prairie Pirates
9’25” / Mike Smith / EUA / 2025
Mike e Brady atravessam as paisagens do Nebraska em busca de motas de motocross antigas, descobrindo pelo caminho que as verdadeiras relíquias são as aventuras e as histórias que ficam para contar.

Logo após a exibição destas “curtas”, a organização chamou ao palco o realizador Mike Smith para partilhar com a plateia a sua experiência na produção da curta-metragem “The Prairie Pirates”.

Pequena conversa com Mike Smith, realizador da curta-metragem ‘The Prairie Pirates’.

Para celebrar os 10 anos do Lisbon Motorcycle Film Fest e como parte integrante do programa, a organização decidiu (literalmente) elevar a parada até ao terraço do Cineteatro Capitólio, no Parque Mayer, onde decorreu o LxMFF Skytop Bike Show (entrada livre).

A apenas 3 minutos a pé do Cinema São Jorge, lá bem no alto e sob a luz única de Lisboa, estiveram duas dezenas de motas em exposição – customizadas e históricas – numa parceria com a Guarda Nacional Republicana. Os modelos customizados foram da autoria da Bandit Garage, Bobbers & Brothers Garage, Cafeina Motorcycles, Flytox Custom, Holy Moly Motorcycles, iT Rocks!Bikes, Iron Custom Motors, Pitta Designs, Rusty Wrench Motorcycles e Unik Motorcycles.

Skytop Bike Show no terraço do Cineteatro Capitólio.

A sessão nocturna estava agendada para as 21h00, uma vez mais na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), onde foi exibida uma única longa-metragem:

Racing Mister Farenheit
83' / Michael Rowley / EUA / 2024
Bobby Haas, um antigo magnata de 74 anos, abandona o mundo dos negócios para perseguir um “toque de imortalidade”, tentando bater um recorde mundial de velocidade em Bonneville com uma mota de sidecar construída à mão.

Na minha opinião, a escolha acabou por não ser a mais feliz para o final de um dia de celebração do cinema e das motas. “Racing Mister Farenheit” é um documentário soturno, demasiado intimista, que sofre com um ritmo lento e que, pelo desenrolar da narrativa, acaba por se tornar sombrio e triste, tal como a dura realidade que retrata. E se há algo de positivo a reter depois de ver o filme, deverá ser, sem dúvida, que a vida é para ser vivida!

O convívio e a boa disposição sempre presentes no LxMFF.

Para elevar o espírito e num ambiente que se quer de boa disposição, a entrada do Cinema São Jorge foi a sala de estar dos participantes, onde, por entre dois dedos de conversa e umas fresquinhas (sem álcool, claro), aguardavam pelo início da “Make A Life a Night Ride”, o icónico passeio nocturno de mota por Lisboa, com início e fim na Av. da Liberdade n.º 175, culminando pela noite dentro com a Garage Party.

O desfile das motas pelas ruas de Lisboa na icónica Night Ride.

Para todos aqueles que não estiveram presentes no evento, aqui fica um pequeno resumo do mesmo:


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