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segunda-feira, 20 de julho de 2026

X Lisbon Motorcycle Film Fest

A 10.ª edição do Lisbon Motorcycle Film Fest (LxMFF 2026), realizada entre os dias 22 e 24 de maio de 2026, celebrou uma década de união entre o cinema e a cultura das duas rodas no Cinema São Jorge. O evento deste ano consolidou-se como o maior ponto de encontro nacional para realizadores, construtores de motas e aficionados, expandindo-se pela primeira vez para fora das salas de cinema convencionais.

Cartaz oficial do LxMFF 2026. Via

O dia de Sábado, tradicionalmente o mais preenchido em termos das actividades programadas, foi o escolhido para a minha deslocação a este (já) grande evento, que em 2026 celebrou 10 anos de muitos quilómetros de “película”, terra e asfalto.

Muitas e variadas motas marcaram presença no X LxMFF.

Uma vez mais, os motociclistas tiveram um espaço à disposição para deixarem os seus capacetes e blusões, circulando assim mais à vontade para disfrutar do cenário montado pela organização alusivo à temática do evento montado nos foyers (piso 0 e piso 1) do Cinema São Jorge. Nestes espaços encontravam-se expostas cinco motas, com destaque para a gama Heritage da BMW com as big boxer R 18:

BMW R 18.

BMW R 18.

BMW R 18 Classic.

Norton Manx R Signature.

Honda WN7.

O programa do X LxMFF para este dia teve início pelas 15h00 com a 1.ª sessão de curtas-metragens na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), onde foram exibidos 6 pequenos filmes:

Passion Not Taught – It Is Passed On
5’12” / Benedikt Merten / Alemanha / 2026
Um olhar sobre a jornada de Michael Weber na criação do Craftwerk Berlin um refúgio físico em plena era digital, onde o trabalho manual e a partilha presencial substituem os algoritmos para manter viva a verdadeira paixão pelo motociclismo.

Rally Kats
12’44” / David Martinez / EUA / 2025
Kiyo e Kat, um casal japonês apaixonado pela cultura americana clássica, atravessam os Estados Unidos da América de costa a costa em motas com mais de cem anos, numa prova de resistência que testa a sua resiliência e devoção.

Why I Ride
7’45” / Matt Lara / EUA / 2025
“Why I Ride” acompanha Kurt e Dylan Winter, da Valley Cycles, em Los Angeles, enquanto restauram motas Honda clássicas e refletem sobre o legado da CB750. É em parte uma história de família, uma lição de história e, principalmente, uma carta de amor ao motivo pelo qual andamos de mota em primeiro lugar.

The Malle Mile
5’15” / Charlie Bristow / Inglaterra / 2026
Uma visão sobre o festival de corridas de motas mais “inapropriado” do Reino Unido. Realizado anualmente nos terrenos de castelos ingleses, o evento foca-se mais na diversão e na cultura do que na competição séria.

The Intensity of a Natural Path
7’12” / Konstantin Dellos / Alemanha / 2026
Um retrato íntimo sobre a Maria Riding Company e a filosofia de um dos seus criadores, explorando como o punk rock, o surf e a personalização de motas se fundem numa busca constante pela intensidade e pelo trabalho manual autêntico.

Newcombers
5’56” / Aaron Romo / EUA / 2026
Liz Sands e o seu parceiro Tank vivem no isolado e icónico Newcomb’s Ranch, onde se dedicam a um treino intensivo para alcançarem o sonho de se tornarem pilotos profissionais de motociclismo.

Os cartazes das 10 edições do Lisbon Motorcycle Film Fest (LxMFF).

Seguiu-se por volta das 16h00 a sessão Talk “Diaries Of Travel” na Sala 2 (bilhete: 1,00 €), uma cativante apresentação do simpático casal Anabela e Jorge, viajantes a tempo inteiro desde 2015. O Jorge nasceu no Luxemburgo e a Anabela nasceu em Portugal. Conheceram-se em 2004 e, desde então, têm partilhado as aventuras e as viagens da vida.

Em 2013, tiraram uma licença sabática do trabalho e viajaram pela América Latina de mota. Quando regressaram, perceberam rapidamente que as suas vidas tinham mudado. Perceberam que não queriam passar oito horas por dia enfiados num escritório. Foi então que deixaram os seus empregos para se dedicaram a tempo inteiro a um novo projeto nascido da sua viagem: Diaries Of é um testemunho real de viagens que tem como objetivo inspirar as pessoas a explorar o mundo.

“Diaries Of”: Um testemunho real de viagens para inspirar as pessoas a explorar o mundo.

A 2.ª sessão de curtas-metragens teve depois início às 17h30 na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), com a exibição de 3 pequenos filmes:

Slowing Going Faster
24’25” / David Martinez / EUA / 2025
Uma meditação sobre a velocidade e o tempo que acompanha o mestre construtor Alp Sungurtekin no regresso a Bonneville, onde persegue recordes em máquinas criadas pelas suas próprias mãos.

The Big Ride
26’/ Séverine de Streyker/ Bélgica, Alemanha/ 2025
Privado da sua oficina em Berlim devido à especulação imobiliária, Billy, um restaurador de motas antigas, decide fugir na sua mota, embarcando numa viagem poética em busca de uma vida mais fiel a si mesmo.

The Prairie Pirates
9’25” / Mike Smith / EUA / 2025
Mike e Brady atravessam as paisagens do Nebraska em busca de motas de motocross antigas, descobrindo pelo caminho que as verdadeiras relíquias são as aventuras e as histórias que ficam para contar.

Logo após a exibição destas “curtas”, a organização chamou ao palco o realizador Mike Smith para partilhar com a plateia a sua experiência na produção da curta-metragem “The Prairie Pirates”.

Pequena conversa com Mike Smith, realizador da curta-metragem ‘The Prairie Pirates’.

Para celebrar os 10 anos do Lisbon Motorcycle Film Fest e como parte integrante do programa, a organização decidiu (literalmente) elevar a parada até ao terraço do Cineteatro Capitólio, no Parque Mayer, onde decorreu o LxMFF Skytop Bike Show (entrada livre).

A apenas 3 minutos a pé do Cinema São Jorge, lá bem no alto e sob a luz única de Lisboa, estiveram duas dezenas de motas em exposição – customizadas e históricas – numa parceria com a Guarda Nacional Republicana. Os modelos customizados foram da autoria da Bandit Garage, Bobbers & Brothers Garage, Cafeina Motorcycles, Flytox Custom, Holy Moly Motorcycles, iT Rocks!Bikes, Iron Custom Motors, Pitta Designs, Rusty Wrench Motorcycles e Unik Motorcycles.

Skytop Bike Show no terraço do Cineteatro Capitólio.

A sessão nocturna estava agendada para as 21h00, uma vez mais na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), onde foi exibida uma única longa-metragem:

Racing Mister Farenheit
83' / Michael Rowley / EUA / 2024
Bobby Haas, um antigo magnata de 74 anos, abandona o mundo dos negócios para perseguir um “toque de imortalidade”, tentando bater um recorde mundial de velocidade em Bonneville com uma mota de sidecar construída à mão.

Na minha opinião, a escolha acabou por não ser a mais feliz para o final de um dia de celebração do cinema e das motas. “Racing Mister Farenheit” é um documentário soturno, demasiado intimista, que sofre com um ritmo lento e que, pelo desenrolar da narrativa, acaba por se tornar sombrio e triste, tal como a dura realidade que retrata. E se há algo de positivo a reter depois de ver o filme, deverá ser, sem dúvida, que a vida é para ser vivida!

O convívio e a boa disposição sempre presentes no LxMFF.

Para elevar o espírito e num ambiente que se quer de boa disposição, a entrada do Cinema São Jorge foi a sala de estar dos participantes, onde, por entre dois dedos de conversa e umas fresquinhas (sem álcool, claro), aguardavam pelo início da “Make A Life a Night Ride”, o icónico passeio nocturno de mota por Lisboa, com início e fim na Av. da Liberdade n.º 175, culminando pela noite dentro com a Garage Party.

O desfile das motas pelas ruas de Lisboa na icónica Night Ride.

Para todos aqueles que não estiveram presentes no evento, aqui fica um pequeno resumo do mesmo:


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Arthur Lampkin RIP

Com um glorioso palmarés no FIM Motocross Grand Prix and Trophee des Nations, Six Days of Enduro e Scottish Six Days Trial, o piloto britânico Arthur Lampkin deixou-nos no passado dia 21 de fevereiro, quando ia completar a bonita idade de 88 anos.

Arthur Lampkin (1938-2026). Via

Filho mais velho de uma dinastia motociclista de Yorkshire, Arthur Lampkin competiu em diversos eventos de motociclismo off-road, como trial, motocross e enduro. Na década de 1960, Lampkin tornou-se membro da equipa de fábrica BSA junto com seu irmão Alan. Juntamente com Dave Bickers e Jeff Smith, fez parte de um grupo de motociclistas britânicos que dominou o motocross nessa época.

Arthur Lampkin venceu o campeonato nacional britânico de motocross 500cc em 1959 e o campeonato nacional britânico de motocross 250cc em 1961, o mesmo ano em que foi vice-campeão mundial de 250cc. Foi membro de duas equipas britânicas vencedoras do Trophée des Nations (1961, 1962) e cinco vitórias consecutivas como membro da equipa britânica de Motocross des Nations (1963-1967).

A tenacidade que demonstrava nas diversas competições de off-road, levou-o a vencer eventos prestigiados como o Scottish Six Days Trial de 1963 e o Scott Trial em 1960, 1961 e 1965. Lampkin também competiu internacionalmente em eventos de enduro, representando a Grã-Bretanha e conquistando a medalha de ouro no International Six Days Trial de 1966, realizado na Suécia.

Arthur Lampkin no Motocross Des Nations (1967). Via

Os irmãos mais novos de Arthur Lampkin, Alan e Martin Lampkin, também tiveram sucesso em competições de motociclismo off-road. Alan venceu o campeonato britânico de trial, enquanto Martin tornou-se campeão britânico de trial, além de vencer a primeira edição do Campeonato Mundial de Trial da FIM, em 1975. Para os mais distraídos, de referir que Martin Lampkin é o pai de Dougie Lampkin, um dos maiores pilotos de trial de todos os tempos, com 12 títulos de Campeão Mundial (durante a década de 90 e no início deste século), e que chegou a competir diversas vezes em Portugal.

Arthur Lampkin faleceu aos 87 anos, após uma luta contra o cancro.

R.I.P.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Mário Kalssas RIP

Nome icónico do desporto motorizado nacional, Mário Jorge da Rocha, conhecido no meio como Mário Kalssas, faleceu na manhã do dia 13 de Agosto de 2025 com 68 anos de idade, vítima de doença prolongada. A alcunha vem da parte do bisavô e foi durante a carreira desportiva que optou pela mudança para o seu nome de marca, com o K e os dois SS.


Multi-campeão nacional de motocross, o antigo piloto, natural e residente em Vagos, tornou-se um dos grandes nomes da modalidade nos anos 70 e 80. No seu palmarés contam cinco títulos nacionais – campeão de motocross em 250 cc (1987 e 1988) e em 500 cc (1987, 1988 e 1989). Foi ainda vice-campeão nacional por oito vezes.

Representou Portugal em todas as competições internacionais por seleções organizadas sob a égide da Federação Internacional de Motociclismo – Motocross das Nações (França, 1988), o Troféu das Nações (Suécia, 1984) e a Taça das Nações (Itália, 1981 e 1982 e Suíça, 1983). Esta presença constante em provas internacionais faz de Kalssas um dos dois únicos pilotos portugueses a competir em todas as edições realizadas.

Mário Kalssas começou a praticar a modalidade em 1973, em Vagos, na classe de 50 cc e com apenas 16 anos. Em 1974 surgiu a primeira prova (integrada nas festas locais), onde levou uma Casal 50 cc preparada pelo próprio ao segundo lugar. No ano seguinte, em 1975, surge o convite da E.F.S. para participar no campeonato nacional de juniores com uma 50 cc, ficando em 2.º lugar. Em 1976 e ainda com a E.F.S., integra o campeonato nacional de seniores numa 50 cc. Nesse mesmo ano começa também a correr em 125 cc, com uma Montesa. Acabaria por ser um ano menos conseguido, terminando em 4.º lugar.

Nas épocas de 1977/78/79, obteve bons resultados com uma Casal-Villa (rebranding da italiana Moto Villa 250 cc, uma das melhores motos de cross competição da época), conseguido conquistar por duas vezes o vice-campeonato. Em 1980 correu pela Forvel, classificando-se em 3.º lugar. Em 1981 e 1982 foi 2.º (Honda) e 3.º (Yamaha) em 125 cc, respetivamente. No ano de 1983 foi vice-campeão em 125 cc (Yamaha) e 3.º em 250 cc (Suzuki e Honda). Em 1984 foi 3.º em 125 cc (suzuki) e vice-campeão em 250 cc (suzuki).

Em 1985 deixa as 125 cc (por limite de idade) e, para além das 250 cc, começa também a correr com as 500 cc. Nesse ano é vice-campeão nas 250 cc (Yamaha) e 4.º nas 500 cc (Kawasaki). Em 1986 foi 3.º em 250 cc (Yamaha) e os anos de glória surgiriam em 1987/88/89 (Honda). Após 17 anos de competição, Mário Kalssas retirou-se das pistas no final da temporada de 1990 com um 3.º lugar em 250 cc e o vice-campeonato em 500 cc. Organizou depois uma escola de pilotagem, enquanto promovia diversas corridas de MX e SX.

R.I.P.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

IX Lisbon Motorcycle Film Fest

A 9.ª edição do Lisbon Motorcycle Film Fest (LxMFF) aconteceu nos passados dias 16, 17 e 18 de Maio no emblemático Cinema São Jorge. Foram 3 dias de celebração da cultura motociclista, com filmes, exposições, conversas com ilustres convidados, um passeio noturno e a transmissão em directo de corridas do Campeonato do Mundo de Superbike.

Ao fechar da cortina, o sentimento da organização não podia ser outro senão o de dever cumprido, salientando que “num fim de semana em que tudo aconteceu em Lisboa e em Portugal – desde vias cortadas por causa dos festejos no Marquês do Pombal no Sábado, às eleições legislativas no Domingo – conseguimos convencer quase 1.500 pessoas a entrar nas várias sessões, ao longo dos 3 dias. Este é sem dúvida um número que superou as nossas melhores expectativas.”

Cartaz oficial do LxMFF 2025, criado pelo ilustrador Pedro Lourenço (Tigre Bastardo). Via

Para não ser surpreendido como aconteceu na edição de 2024, ainda para mais com a presença de um convidado internacional mediático na programação deste ano, resolvi adquirir antecipadamente os bilhetes para as sessões dos dias que tinha escolhido assistir ao LxMFF, na Sexta-feira (dia 16) e no Sábado (dia 17). Acabei por ter de fazê-lo online, uma vez que encontrei a bilheteira fechada quando me desloquei ao Cinema São Jorge, e sem qualquer indicação no local sobre o seu horário de funcionamento (?!).

Com a questão dos bilhetes arrumada, no final da tarde de Sexta-feira rumei então ao Cinema São Jorge para a abertura do festival, agendada para as 21h00. Juntei-me assim às muitas centenas de motociclistas que quiseram participar na festa, neste (já grande) evento de renome internacional que celebra a paixão pelas duas rodas e pelo cinema.

Grande afluência de motas no IX LxMFF.

Como já vem sendo hábito, os motociclistas tiveram um espaço à disposição para deixarem os seus capacetes e blusões (desta vez não no bengaleiro, mas na Sala 2), circulando assim mais à vontade para disfrutar do cenário alusivo à temática do evento montado nos foyers (piso 0 e piso 1) do Cinema São Jorge. Nestes espaços encontravam-se cinco motas em exposição:

Ducati XDiavel V4.

BMW R12 G/S.

Moto Guzzi V7 Sport.

BMW R12 S.

Honda CB1000 Hornet SP.

À hora programada, a equipa organizadora do LxMFF deu as boas-vindas de forma calorosa a todos os espectadores, motociclistas e não só, que marcaram presença na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, para assistirem à programação do primeiro dia do evento.

As boas-vindas dadas pela equipa organizadora do LxMFF.

Na sessão nocturna inaugural (bilhete: 5,00 €) foi exibida a longa-metragem Angels of Dirt (86’), realizada por Wendy Schneider (E.U.A.). Com um misto de inspiração e desgosto, a realizadora traça a vida e a carreira da espantosa Charlotte Kainz, uma “small-town girl” que cresce entre os pilotos e mecânicos das boxes de uma pista de motociclismo do Wisconsin rural. Desenvolvendo um gosto pela velocidade e um talento para as corridas de Flat Track desde os quatro anos deidade, a jovem Charlotte nunca olha para trás. Filmado ao longo de 17 anos, este documentário íntimo e envolvente é um retrato abrangente de uma jovem destemida com um desejo inato e uma aptidão para vencer num desporto que muito poucas mulheres, muito menos jovens raparigas, alguma vez pensaram em competir. “Angels of Dirt” segue a busca improvável e imparável de Charlotte para ser a melhor num desporto dominado por homens. Com base em filmes “caseiros” pessoais, emocionantes filmagens de corridas e entrevistas reveladoras com amigos, familiares e lendas do mundo das corridas, este é um documentário que emociona e inspira o público a perseguir os seus sonhos, o mais rápido que puderem.

Fazendo parte do grupo de convidados internacionais ligados à realização dos filmes que estiveram no LxMFF, a americana Wendy Schneider subiu ao palco no final da exibição do documentário para uma curta conversa sobre a sua produção.

Curta conversa com Wendy Schneider, realizadora do filme ‘Angels of Dirt’.

Depois da sessão de abertura e uma vez mais à Sexta-feira (e não no Sábado como era habitual), por volta das 22h30 chegava um dos momentos mais aguardados do LxMFF: andar de moto, por algumas das mais belas ruas e avenidas da cidade de Lisboa. Trata-se da Lisbon Night Ride, um passeio nocturno com início e fim no n.º 175 da Avenida da Liberdade, onde todas as motos são bem-vindas. A participação é gratuita e não é necessária inscrição.

Sob a coordenação da Esquadra Moto do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, que previamente transmitiu as recomendações a ter em conta durante o passeio, nomeadamente a necessidade de “refrear os ânimos” e efectuar uma condução responsável, a Lisbon Night Ride juntou cerca de 1.000 motas, num percurso com um pouco menos de uma dezena de quilómetros. Para os mais resistentes, a animação prosseguiria noite dentro com uma festa de música com Dj.

A Lisbon Night Ride 2025 passou pelas ruas da baixa lisboeta.

No dia 17, Sábado, as actividades tiveram início um pouco depois das 15h00 na Sala 2, com a Talk TLMoto X Tron (bilhete: 1,00 €). Uma conversa de cerca de 60’ com dois membros da equipa do Instituto Superior Técnico de Lisboa responsável pela concepção e construção da primeira moto eléctrica de competição de Portugal, a TLMoto. O grupo de estudantes do IST que desenvolve a TLMoto tem participado em diversas competições, nomeadamente a MotoStudent, o Campeonato Nacional de Velocidade (CNV) e a Moto Engineering Italy.

Talk TLMoto X Tron, sobre a moto elétrica de competição criada por estudantes do IST.

Logo de seguida, perto das 16h30, tinha início a sessão de curtas-metragens internacionais na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), com a exibição de 9 pequenos filmes:

The Finder (6') de Mark Hileman (E.U.A.). Durante quatro meses, Mark deixa o conforto do seu lar e percorre com a sua moto algumas das mais belas paisagens dos parques naturais dos Estados Unidos.

Solace: A Motorcycle Film (3') de Zain Javaid (Emiratos Árabes Unidos). Tendo como pano de fundo o Dia Mundial do Motociclista, “Solace” segue um piloto solitário numa viagem inesquecível por estradas infinitas no dia mais longo do ano, 21 de junho. Mais do que um simples passeio, este filme explora a busca pela liberdade, a autodescoberta e o conforto encontrado no ritmo da estrada. Uma aventura íntima e cinematográfica, onde o verdadeiro destino é a paz interior.

Hell Riders: The Wall of Death (6') de Ali White (Reino Unido). Sejam bem-vindos ao mundo dos Hell Riders, que no Poço da Morte dão vida a um dos espetáculos mais incríveis e antigos em duas rodas do Reino Unido.

Sugar (12') de Danny Marmaduke (E.U.A.). “Sugar” examina o vínculo inquebrável entre dois homens e assuas motos, unidos pelo peso da diabetes tipo 1, que encontraram uma fuga na estrada. Para Neil, diagnosticado aos dezasseis anos ao mesmo tempo em que conheceu Kayla, sua parceira de vida, a jornada sempre foi de dualidade – amor e doença, independência e dependência. Steven, criado pela mãe, que mais tarde compartilhou do mesmo diagnóstico, cresceu vendo a resiliência como um fardo e um presente. Agora, casado e pai de um menino, anda de moto para reinventar-se, mudando de perspectiva, reconectando-se consigo mesmo ao longo do caminho. Cada quilómetro é um ato de rebeldia contra as limitações da diabetes, um impulso em direção a algo maior. “Sugar” é um testemunho da superação dos fardos da doença, explorando as alegrias que avida tem a oferecer.

Finding Latitude (14') de Semjon Düren (Alemanha). É lá fora que se encontra o que está cá dentro. A história de um fotógrafo de motos que reencontra a sua paixão no Equador.

Why Would You Do It on That? (11') de Christian Taro (Suíça). Dar uma volta completa ao mundo sozinho já é uma grande aventura. Mas fazê-lo numa moto construída à mão, com 3 m de comprimento e totalmente rígida, requer uma pessoa fora do comum. Eis Charlie Weisel, um tipo de ser humano muito especial. Christian conheceu Charlie na estrada. Falaram sobre a sua viagem, a sua vida e, claro, sobre a pergunta que mais lhe fazem: “Porque é que fizeste isto, nisso?”

Green Legacy (6') de Jeremia Vega (Indonésia). Com um amor partilhado pelas duas rodas, a Shelter Field e a Manasi Ride quiseram dar um passo em conjunto para melhorara natureza, promovendo a plantação e preservação de árvores. A dificuldade de acesso é o que faz com que as duas rodas desempenhem um papel importante. Este “Legado Verde” é apenas o começo de uma aventura maior.

Wild at Heart (21') de Irene Kotnik (Alemanha). Empenhadas em aumentar a visibilidade das mulheres no mundo das motos, as Petrolettes são uma comunidade mundial feminina cuja missão é inspirar as mulheres a juntarem-se, celebrarem os desportos motorizados, abraçarem a aventura, defenderem causas sociais e apoiarem iniciativas significativas.

The Freeride Spirit (16') de Roland Blechschmied (Alemanha). “The Freeride Spirit” é uma viagem cinematográfica ao coração do “freestyle” das motos de todo-o-terreno – uma celebração crua e indomável da liberdade, da adrenalina e da ligação humana. Desde os trilhos poeirentos de vales remotos até às colinas verdejantes de continentes distantes, o filme segue pilotos de todo o mundo enquanto perseguem a simples emoção de um terreno aberto e de duas rodas e um motor por baixo deles. Esta curta é um tributo a uma comunidade global unida não pela língua ou pelas fronteiras, mas por um amor partilhado pela descoberta e pelo laço tácito forjado através da lama, do suor e do acelerador. Uma ode visual ao espírito de aventura, “The Freeride Spirit” mostra que, independentemente da nossa origem, estamos unidos pela terra.

Logo após a exibição das “curtas”, a organização chamou ao palco alguns dos realizadores presentes para partilharem as suas experiências na feitura dos respectivos filmes.

Pequena conversa com alguns dos realizadores das curtas-metragens.

Com o aproximar das 18h30, chegava um dos momentos mais aguardados do dia. Aos poucos, cerca de duas centenas de pessoas perfilavam-se à porta da Sala 3 (após uma alteração de última hora, da Sala 2 para a Sala 3, para acomodar o elevado número de interessados) para assistirem à Talk Charley Boorman (bilhete: 1,00 €). Charley Boorman, actor britânico, motociclista, aventureiro, apresentador de televisão e escritor de viagens, é uma personalidade sobejamente conhecida entre a comunidade motociclística. Apaixonado por motos desde criança, Charley é juntamente com o seu amigo Ewan McGregor, um dos protagonistas da bem-sucedida série documental Long Way (Long Way Round - 2004, Long Way Down - 2007, Long Way Up - 2020 e Long Way Home - 2025). Num ambiente de simpatia e boa disposição, os 60’ de duração rapidamente se esgotaram ao ouvir as histórias e peripécias da sua vida, bem como as aventuras que tem empreendido pelo mundo fora, onde demonstrou ter uma grande resiliência e positividade até nas piores situações.

Cerca de 200 pessoas assistiram à Talk Charley Boorman.

Talk Charley Boorman, com o conhecido motociclista e aventureiro britânico da série ‘Long Way’.

A sessão nocturna teve início só às 21h30, o que deixou algum tempo para “digerir” a interessante conversa, enquanto aconchegava o estômago num dos bares no Cinema São Jorge. Novamente na Sala Manoel de Oliveira (bilhete: 5,00 €), foram exibidos dois filmes, uma longa-metragem e uma curta-metragem:

The Drixton (56’) de Spenser Robert (E.U.A.). Até onde irias para salvar a moto favorita do teu Pai? Neste filme, Ari e Zack estão numa missão – desde um celeiro em New Hampshire até ao Barber Motorsports Museum – para tirar a famosa Drixton Honda de Todd Henning das caixas numa prateleira e colocá-la de novo numa pista de corridas.

Motorcycle Mary (22’) de Haley Watson (E.U.A.). Esta é a história não contada da lendária pioneira dos desportos motorizados Mary McGee. “Motorcycle Mary” traz à luz, com impressionantes imagens de arquivo e fotografias nunca vistas, uma carreira de automobilista que durou trinta anos e que viu Mary quebrar as normas de género enquanto dominava várias disciplinas do desporto motorizado. Confrontada com o sexismo e com a tragédia pessoal, Mary persevera, esforçando-se por atingir feitos cada vez mais incríveis – culminando no seu desafio mais arrepiante: a tentativa de se tornar a primeira pessoa a percorrer sozinha a extenuante Baja 500 numa moto.

Concluída a sessão, foi a vez da realizadora americana Haley Watson subir ao placo para uma breve conversa sobre o filme ‘Motorcycle Mary’, recentemente nomeado para Melhor Curta-Metragem Documental na 46.ª edição dos Emmy de Notícias e Documentários.

Breve conversa com Haley Watson, realizadora do filme ‘Motorcycle Mary’.

Terminava assim a minha visita ao IX Lisbon Motorcycle Film Fest. Para quem não esteve presente no evento, aqui fica um breve resumo do mesmo:


quinta-feira, 22 de maio de 2025

XVIII Salão Motorclássico

O Salão Motorclássico, um dos principais eventos dedicados aos automóveis e motos clássicas e desportivas em Portugal, com organização a cargo do Museu do Caramulo, teve a sua 18.ª edição nos dias 21, 22 e 23 de Fevereiro, na Cordoaria Nacional, em Lisboa.

Salão Motorclássico 2025. Via

Assim, à semelhança dos anos anteriores e ao longo de três dias, o Salão juntou dezenas de expositores nacionais e estrangeiros relacionados com a temática dos clássicos, distribuídos ao longo dos cinco pavilhões da Cordoaria Nacional, bem como das zonas exteriores.

Os visitantes puderam ver e comprar automóveis, motos, livros, peças ou artigos de coleção, a entidades institucionais, como clubes, associações ou museus, que fazem deste certame um evento não só para aficionados do mundo dos clássicos, mas também para o público em geral.

Nesta edição de 2025 visitei o Salão Motorclássico no dia de abertura, na Sexta-Feira à noite. Em contraste com o dia de Sábado, tradicionalmente bem mais movimentado, encontrei um ambiente bastante calmo e tranquilo, propício para apreciar sem pressas e com maior detalhe cada um dos stands e os clássicos neles expostos.

Visita nocturna ao Salão Motorclássico, com o autocarro Daimler Victory (1967) n.º 76 da Carris a dar as boas-vindas.

Logo após a validação dos bilhetes na entrada no Salão, todos os meus sentidos despertaram de imediato com as motas expostas no espaço reservado à Moto W. Numa grande variedade de modelos icónicos, maioritariamente desportivos dos anos ’90, mas não só, o destaque ia naturalmente para a Honda NR750 (RC40) de pistões ovais, modelo bastante raro e muito cobiçado por coleccionadores da marca da asa dourada. Um autêntico objecto de culto, que podia ser adquirido pela módica quantia de 199.000,00 €.

Yamaha FZR750R OW-01 (1989) – 45.000,00 €.

Honda NR750 (1993) – 199.000,00 €.

Suzuki RGV250 (1991) – 15.000,00 €.

Em exposição no stand Relíquias da Bairrada encontrava-se uma Favor Model Type A1 de 1926, modelo este que participou na Corrida dos Fundadores de 2024 (um passeio destinado a automóveis e motos pré-guerra, produzidos até 1939, que celebra a era dourada do automobilismo).

Favor Model Type A1 (1926).

A exposição temática de celebração do 80.º aniversário sobre o final da Segunda Guerra Mundial, o maior conflito bélico da humanidade e que moldou a história do Século XX, contou com a presença de duas motas da época, em representação dos países Aliados e dos países do lado do Eixo: uma BSA WM20 de 1941 e uma DKW NZ350 de 1939.

BSA WM20 (1941) e DKW NZ350 (1939).

O look clássico, vintage e retro associado às duas rodas esteve presente no espaço da Cool Garage, com os mais variados tipos de acessórios para um lifestyle a condizer.

O estilo clássico, vintage e retro presente no stand Cool Garage.

As motas customizadas, ou personalizadas, refletem as opções e os gostos dos seus criadores. São normalmente modelos únicos, que se diferenciam dos demais em termos estéticos e mecânicos, com maior ou menor grau de alterações, razão pela qual não é muito comum aparecerem à venda. Mas no stand 4 Rodas havia uma Harley-Davidson FLSTF Fat Boy de 1998 customizada por 17.900,00 €.

Harley-Davidson FLSTF Fat Boy (1998) customizada – 17.900,00 €.

Ainda nas customizações, uma clássica BSA (1967) modificada servia de chamariz para o espaço ocupado pela Malle London, uma empresa britânica criadora de refinados acessórios de design no universo das motas personalizadas. O proprietário desta BSA é Jonny Cazzola, um dos fundadores da Malle.

BSA (1967) customizada de Jonny Cazzola (Malle London).

Na Automobilia do Salão Motorclássico (uma junção das palavras automóvel e memorabilia) encontravam-se diversos artefactos históricos e itens colecionáveis relacionados com os automóveis, as motas e áreas afins. De natureza muito variada, desde aqueles ligados ao desporto num sentido geral (por exemplo, um kit de ferramentas), até aqueles intrinsecamente ligados a um veículo ou evento específico. Arte, modelos, livros, brinquedos, bandeiras e roupas, embora não estejam diretamente ligados a um veículo, também fazem habitualmente parte da Automobilia, sempre que associados a um tema automobilístico.

Automobilia no Salão Motorclássico.

Artigos coleccionáveis sobre veículos de duas e de quatro rodas.

No espaço da lisboeta OndaClássica podiam ser vistos diversos modelos clássicos da Honda, essencialmente ciclomotores, prontos para seguirem para uma qualquer garagem ou colecção particular.

Conjunto de clássicas Honda, no stand OndaClássica.

Anunciada como uma mota de Sport Touring em 1988, a BMW K1 sempre dividiu opiniões relativamente à sua estética ousada, permanecendo polarizadora até aos dias de hoje. O seu design futurista, com baixo coeficiente de resistência aerodinâmica, nunca foi consensual, chegando mesmo a ser considerada por muitos como uma das motas mais feias de sempre. Para os seus admiradores, este modelo de 1993 podia ser adquirido por 9.250,00 €:

BMW K1 (1993) – 9.250,00 €.

Chegado ao stand Estoril Motor deparei-me com um extraordinário conjunto de motas clássicas italianas dos anos ’50 e ’60 bastante raras, que se revelou, pelo menos para mim, como o ponto alto da visita. Duas Moto Maserati 125cc de 1956, uma MV Agusta Liberty S 50cc dos anos ’60 e duas Moto Ferrari (Fratelli Ferrari), uma 150cc de 1955 e uma 50cc de 1959, todas em estado impecável, fizeram-me sonhar em querer tê-las na minha garagem. Fiquei-me pelo sonho...

Moto Maserati 125cc (1956).

MV Agusta Liberty S 50cc (anos ‘60).

Moto Maserati 125cc (1956).

Moto Ferrari 150cc (1955).

Moto Ferrari 50cc (1959).

No mesmo espaço e um pouco mais ao lado, encontravam-se um conjunto de magníficas motas desportivas a 2T do final dos anos ’80, autênticas race replicas para oferecer aos fãs das corridas a oportunidade de adquirirem modelos semelhantes às máquinas de fábrica que assistiam nas pistas (que não gostava de ser o Freddie Spencer, o Barry Sheene ou o Kenny Roberts). Destaco uma Honda NS400R (1986), autografada pelo próprio “Fast” Freddie Spencer.

Yamaha TZR250 (1987).

Honda NS400R (1986), autografada por “Fast” Freddie Spencer.

Yamaha RD500 (1986).

A BMW R80G/S lançada em 1980 é considerada a primeira mota desportiva de aventura do mundo, capaz de ser igualmente eficiente dentro e fora de estrada. A designação G/S (Gelände/Straße, que significa terreno/estrada) evidencia as características dual-sport deste modelo. No Motorclássico encontrava-se uma BMW R80G/S Paris-Dakar de 1983 (edição especial evocativa das vitórias de Hubert Auriol e Gaston Rahier no Rali Paris-Dakar) à venda por 21.900,00 €.

BMW R80G/S Paris-Dakar (1983) – 21.900,00 €.

Para além das duas rodas, muito mais havia para ver no que respeita às quatro rodas, com magníficos exemplares de grandes clássicos, restaurados e por restaurar, de “fazer crescer água na boca”.

Contrastando com os clássicos presentes no salão, o futuro deu-se a conhecer através do Adamastor Furia, o primeiro supercarro português da história, presente sob a forma de development prototype. O Furia representa o início de uma nova era para a Adamastor, o ponto de partida para a empresa portuguesa concretizar a sua visão e estratégia, assumindo-se como um dos principais nomes no exclusivo e crescente segmento mundial dos supercarros.

Em resumo, quem se deslocou às instalações da Cordoaria Nacional para visitar o XVIII Salão Motorclássico não deu por mal empregue o seu tempo. Para o ano haverá mais, certamente.