Dia 8 (02/08/2025): Plasencia – Regresso a casa
Na prática, o Best Pirinéus Tour 2025 tinha terminado no dia
anterior. Mas na verdade, qualquer tour só fica verdadeiramente concluído
quando todos os motociclistas chegam aos seus destinos. Sãos e salvos.
Por estarmos já tão perto de Portugal e devido ao interesse manifestado
por alguns dos participantes, a organização decidiu então que a viagem de
regresso seria efectuada de forma livre por cada um dos elementos do grupo.
Assim, após o pequeno-almoço tomado ainda no hotel e com a moto devidamente
preparada, o regresso a Portugal teve início a meio da manhã, uma vez que não
houve necessidade de ter de cumprir um horário pré-estabelecido para a saída,
como tinha sucedido nos dias anteriores.
Sem pressas e em ritmo de passeio, cerca de 90 km depois, pela Ruta de
la Plata (N-630), chegámos à localidade de Cáceres, capital da
província homónoma, onde aproveitámos para visitar ao seu centro
histórico, também conhecido como Ciudad Monumental, Ciudad Vieja de Cáceres
ou Barrio de Intramuros.
Cáceres é uma das cidades declaradas Património da Humanidade de
Espanha. Com o terceiro maior complexo monumental da Europa, nesta cidade
viaja-se no tempo até à época do Renascimento e, sobretudo, para a Idade Média
graças às ruas, praças, palácios e muralhas especialmente bem
conservados.
Praça de Santa María
(uma das mais importantes da cidade, onde fica a Concatedral de Cáceres, o Palácio
Episcopal, o Palácio de Hernando de Ovando, o Palácio de los Mayoralgo, o Palácio
Provincial e o Palácio de los Golfines de Abajo).
Concatedral
de Cáceres (igreja com origem no Séc. XIII, mas que, após sua destruição,
foi reconstruída como é agora durante os Séc. XV e XVI).
Praça de
San Jorge, com a Igreja
de San Francisco Javier (igreja jesuíta de estilo barroco construída no Séc.
XVIII).
Sefarad (nome em língua
hebraica para a Península Ibérica), símbolo associado aos Sefarditas antes da sua
expulsão em 1492 (Espanha) e 1496 (Portugal).
Casa-Museu Árabe Yusuf Al-Burch (casa
árabe do Séc. XII, erigida sobre um recinto romano antigo, cuja reconstrução deu
origem ao actual museu inaugurado em 1976).
Entretanto, o calor já se fazia sentir com alguma intensidade, como é
habitual nesta altura do ano na Extremadura espanhola. Depois da visita a pé ao
centro histórico, uns momentos de relaxamento à sombra de uma esplanada vieram
mesmo a calhar. Aproveitámos também a oportunidade para comprar alguns produtos
tradicionais da gastronomia local, nomeadamente quesos e embutidos, deixando
assim a top case bem aromatizada para o resto da viagem.
De novo na estrada, uma tirada final de cerca de 90 km pela N-523
levou-nos de regresso a Badajoz e ao ponto de encontro do 1.º
dia do tour, na Área
de Serviço de Badajoz (Autovía del Suroeste). Aqui foi efectuado o último
abastecimento a preços “mais simpáticos”, antes da entrada em Portugal para o
regresso a casa. Estava assim “fechado o círculo” no trajecto do Best Pirinéus
Tour 2025.
Resumo
A Rota Transpirenaica em moto é uma das viagens mais desafiantes e
espetaculares para os motociclistas. Esta rota atravessa a Cordilheira dos
Pirenéus, ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Cantábrico e estende-se por
aproximadamente 800 quilómetros.
Na verdade e em sentido lato, a Transpirenaica (travessia dos Pirenéus)
pode ser percorrida tanto de Sudeste para Noroeste, como de Noroeste para Sudeste.
O ponto de partida e o ponto de chegada podem ser os mais variados, em locais
como Roses, Cadaqués, Cabo de Creus (a Sudeste) ou em San Juan de Luz, Hendaya,
Hondarribia, Cabo Higuer, San Sebastián (a Noroeste), para mencionar apenas
alguns.
O que é verdadeiramente importante é apreciar a travessia desta
magnífica zona montanhosa, serpenteando entre Espanha e França com uma forte
componente de descoberta, passando por regiões de grande interesse histórico,
cultural e paisagístico. Os locais de paragem ao longo do trajecto podem ser
efectuados onde e quando se achar mais conveniente.
De uma forma simplista, num tour de 8 dias onde o objetivo fica a
1.000 km de distância, poder-se-á dizer que são 4 dias de obrigação (com
paragens a cada 250/300 km para abastecer durante a viagem), para 4 dias de
satisfação (com percursos diários de cerca de 300 km para disfrutar da
paisagem). Uma inevitabilidade, é certo, mas na realidade acabam por ser 8 dias
cheios de excelentes aventuras, camaradagem e espírito de grupo, sempre com as
motas como denominador comum. Nada mal.
Sendo um tour com contornos muito próprios, que se desenrola numa
zona de grande beleza, em ambiente de alta montanha e de deslumbrantes vales, é
importante realçar que o mesmo carece de alguma disciplina e rigor, em especial
no que diz respeito aos horários de saída, para que se possa aproveitar em
pleno tudo o que cada dia irá proporcionar.
No acesso ao Cabo de Creus, é também importante ter em atenção as
restrições que são impostas aos veículos motorizados que circulam na estrada
entre Cadaqués e o Farol do Cabo de Creus, especialmente durante os meses de
maior afluxo de turistas, tal como nos sucedeu no 3.º
dia do tour.
No final, deixo um agradecimento e uma nota muito positiva à organização
(G2 Aventuras Ilimitadas), na
pessoa do Jorge Gameiro, que não se poupou a esforços para proporcionar uma fantástica
travessia da cordilheira transpirenaica a todos os 26 participantes (22 motas) do
Best Pirinéus tour 25.








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