Dia 7 (01/08/2025): Vitoria – Plasencia
Um misto de autoestradas e de estradas nacionais levaria a caravana do Best
Pirinéus Tour 2025 até bem perto do território português. O destino seria a
cidade de Plasencia (Extremadura), com uma paragem sensivelmente a meio do
percurso em Tordesillas (Castilla y León), localidade histórica onde, no Séc.
XV, foi acordada a divisão do mundo entre o reino de Portugal e o reino de
Espanha.
Cumprindo o horário habitual, despedimo-nos da cidade de Vitoria-Gasteiz
perto das 08h30, logo após a azáfama matinal da tomada do pequeno-almoço no
hotel, da arrumação da bagagem e da lubrificação da corrente da mota.
Com um pouco mais de cinco centenas de quilómetros para percorrer neste
7.º dia do tour, a primeira metade do percurso acabou por ter pouca
história. As motas foram paulatinamente cumprindo a rota traçada ao longo das autovias/autopistas
das regiões espanholas do País Vasco e de Castilla y León, onde não houve
grandes motivos dignos de registo a quebrar a monotonia da viagem.
Sem locais pré-definidos para abastecer as motas e com o grupo já um
pouco desagregado entre si, fruto do trânsito e das muitas ultrapassagens efectuadas
ao longo do trajecto, lá chegou o momento de ter de parar numa estação de
serviço para colocar combustível na mota. Ao retomar a viagem, acabei por seguir
praticamente sozinho, guiado apenas pelo track fornecido pela
organização e na companhia do último dos participantes que vinha a fazer de
“mota-vassoura” não oficial.
Chegámos com calor à principal paragem do dia, em Tordesillas, a tempo de nos
juntarmos aos restantes elementos para uma visita a um dos locais mais
emblemáticos da cidade, as Casas del
Tratado (Museu). Declaradas Bem de Interesse Cultural, trata-se de dois
palácios unidos, que receberam este nome porque em 7 de junho de 1494 foi aqui assinado
o Tratado de
Tordesilhas. Celebrado entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela,
serviu para dividir as terras “descobertas e por descobrir” no Novo Mundo por
ambas as Coroas (foi definida como linha de demarcação, o meridiano 370 léguas
a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde).
Detentora dos títulos de “cidade muito ilustre, antiga, coroada, leal e
nobre”, em Tordesillas destacam-se ainda outros monumentos e locais de
interesse, tais como o Real
Monasterio de Santa Clara (construído no local do antigo palácio mudéjar
chamado “Pelea de Benimerín”, erigido em 1340 por Afonso XI de Castela após seu
triunfo na Batalha de Salado, e financiado com o saque obtido nesse conflito. O
seu filho Pedro, o Cruel, consertou-o e doou-o em 1363 às suas filhas Beatriz e
Isabel para que pudessem transformá-lo num convento) e a Igreja-Museu
de San Antolín (onde uma série de peças artísticas da própria igreja e
várias outras da cidade são reunidas e exibidas, entre as quais destaca-se o
túmulo da família Alderete. O edifício é uma igreja dos Séc. X e XVII, iniciada
em meados do Séc. XVI e concluída por Gil de Reynaltos em 1644).
Merece também destaque a Igreja
de Santa María (a maior igreja da cidade, construída em pedra e tijolos,
entre os Séc. XVI e XVIII, com base gótica e evolução clássica), a Puente (não há
referência à origem da atual ponte, nem data, nem vestígios, nem autores. A
pontuação de seus arcos indica a sua origem medieval), a Muralla (cercava
toda a cidade e tinha carácter fiscal e militar. Foi construída em pedra,
tijolos e terra batida. Tinha quatro portões principais, que coincidem com os
quatro pontos cardeais) e a Plaza Mayor, entre outros.
E foi precisamente na Plaza Mayor (uma praça toda com arcadas e com
acesso pelas entradas de quatro ruas, cuja estrutura atual data do Séc. XVII,
onde as casas de dois andares têm as lojas por baixo), localizada a cerca de 200
m das Casas del Tratado, onde acabámos por nos sentar na esplanada do
restaurante Don
Pancho para almoçar.
O sol já ia bem alto, assim como o termómetro que indicava a temperatura
ambiente. O ar quente e seco tornou-se num companheiro de viagem pouco desejado
para a tirada da tarde, em mais umas centenas de quilómetros a rolar pelas
regiões de Castilla y León e da Extremadura. As autovias/autopistas deram
finalmente lugar às estradas nacionais, tornando assim o percurso bem mais
interessante.
A travessia da Sierra
de Gredos, cordilheira classificada como parque regional e um dos
subsistemas montanhosos mais extensos do Sistema Central ibérico,
trouxe maior animação à caravana, com o encadeado de curvas e contracurvas nas
províncias espanholas de Ávila e Cáceres. Na transição entre estas duas
províncias, passámos pelo ponto de maior altitude do dia, no Puerto de Tornavacas,
a 1.275 m.
Aqui bem perto, nos contrafortes da Sierra de Béjar (o sector mais ocidental
da Sierra de Gredos), no Valle del Ambroz, encontra-se a pacata localidade de Hervás.
Nesta povoação, que tem o bairro judeu como património histórico de maior destaque,
está sediado o Museo
de la Moto y el Coche Clásico, o qual merece uma atempada visita.
Chegámos a Plasencia
ao final da tarde, ainda com tempo para uma visita ao Casco Antíguo desta
importante cidade da província de Cáceres, às margens do Rio Jerte, na comunidade
autónoma da Extremadura.
O Hotel
Alfonso VIII, um hotel clássico, senhorial e bem situado no centro
histórico, a cerca de 200 m (3 min. a pé) da Plaza Mayor, foi o escolhido pela
organização para acolher todo o grupo do Best Pirinéus Tour 2025. Sem
possibilidade de estacionar as motas junto à unidade hoteleira, felizmente que o
acordo estabelecido entre o hotel e um parque de estacionamento público nas
proximidades, permitiu deixar as motas em segurança durante a estadia.
Plasencia conta com um centro histórico que é fruto da sua estratégica
localização em plena Ruta de la Plata.
Esta localidade foi habitada por romanos e árabes até que, no Séc. XII, Alfonso
VIII a reconquistou e repovoou. O seu traçado medieval mostra-se claramente nos
restos da sua muralha
(construída nos finais do Séc. XII), entre os quais se destacam torreões e
portas, como a do
Sol ou o postigo
de Santa María. A Catedral Vieja
e a Catedral
Nueva, a primeira construída entre os Séc. XIII e XIV (de estilo românico)
e a segunda projetada em finais do Séc. XV (o templo mais ornamentado e
ricamente decorado da Extremadura), são dois dos ex-libris da cidade.
Puerta de
Trujillo (vista intramuros), Plasencia.
Palacio del Marqués de
Mirabel (escudo com as armas de Zúñiga y Ayala, primeiros marqueses de
Mirabel), Plasencia.
No centro de Plasencia fica a sua Plaza Mayor, lugar
de reunião para moradores e visitantes dentro do recinto amuralhado da cidade, especialmente
durante a celebração do Martes Mayor,
uma festa anual de Interesse Turístico Regional. Um lugar perfeito para
descansar e degustar a excelente gastronomia extremenha, onde se pode experimentar
pratos de cogumelos, escabeches, trutas e cabrito, tanto assado como guisado. A
mesa extremenha oferece ainda presunto ibérico da Dehesa de Extremadura,
queijos de La Serena e cerejas do Vale do Jerte, todos com Denominação de
Origem.
Palacio
municipal (Ayuntamiento de Plasencia), com a torre sineira que alberga o
símbolo da cidade: o Abuelo Mayorga (um autómato que informa as horas à
população) e com o anúncio da festa Martes Mayor.
E para não variar, considerando a grande oferta ao nível da restauração
local, o jantar foi uma vez mais de escolha livre para todos os participantes.
Um grupo alargado acabou por se juntar numa esplanada da Plaza Mayor, mais
precisamente no Bar
Café Torero, para aquele que seria o último jantar-convívio do tour,
com as peripécias da viagem a servirem de mote para agradáveis momentos de boa
disposição entre todos.
No final, regressámos ao hotel com um sentimento de alguma nostalgia. O Best
Pirinéus Tour 2025 tinha praticamente chegado ao fim. O dia seguinte estava reservado
para o regresso a casa de toda a caravana.
Continua...










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