domingo, 26 de abril de 2026

Best Pirinéus Tour 2025 #7/8

Dia 7 (01/08/2025): Vitoria – Plasencia

Um misto de autoestradas e de estradas nacionais levaria a caravana do Best Pirinéus Tour 2025 até bem perto do território português. O destino seria a cidade de Plasencia (Extremadura), com uma paragem sensivelmente a meio do percurso em Tordesillas (Castilla y León), localidade histórica onde, no Séc. XV, foi acordada a divisão do mundo entre o reino de Portugal e o reino de Espanha.

Dia 7 – 520 km.

Cumprindo o horário habitual, despedimo-nos da cidade de Vitoria-Gasteiz perto das 08h30, logo após a azáfama matinal da tomada do pequeno-almoço no hotel, da arrumação da bagagem e da lubrificação da corrente da mota.

Com um pouco mais de cinco centenas de quilómetros para percorrer neste 7.º dia do tour, a primeira metade do percurso acabou por ter pouca história. As motas foram paulatinamente cumprindo a rota traçada ao longo das autovias/autopistas das regiões espanholas do País Vasco e de Castilla y León, onde não houve grandes motivos dignos de registo a quebrar a monotonia da viagem.

Sem locais pré-definidos para abastecer as motas e com o grupo já um pouco desagregado entre si, fruto do trânsito e das muitas ultrapassagens efectuadas ao longo do trajecto, lá chegou o momento de ter de parar numa estação de serviço para colocar combustível na mota. Ao retomar a viagem, acabei por seguir praticamente sozinho, guiado apenas pelo track fornecido pela organização e na companhia do último dos participantes que vinha a fazer de “mota-vassoura” não oficial.

Chegámos com calor à principal paragem do dia, em Tordesillas, a tempo de nos juntarmos aos restantes elementos para uma visita a um dos locais mais emblemáticos da cidade, as Casas del Tratado (Museu). Declaradas Bem de Interesse Cultural, trata-se de dois palácios unidos, que receberam este nome porque em 7 de junho de 1494 foi aqui assinado o Tratado de Tordesilhas. Celebrado entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela, serviu para dividir as terras “descobertas e por descobrir” no Novo Mundo por ambas as Coroas (foi definida como linha de demarcação, o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde).

Museu do Tratado de Tordesilhas, onde o mesmo foi assinado em 1494 (Tordesilhas).

Detentora dos títulos de “cidade muito ilustre, antiga, coroada, leal e nobre”, em Tordesillas destacam-se ainda outros monumentos e locais de interesse, tais como o Real Monasterio de Santa Clara (construído no local do antigo palácio mudéjar chamado “Pelea de Benimerín”, erigido em 1340 por Afonso XI de Castela após seu triunfo na Batalha de Salado, e financiado com o saque obtido nesse conflito. O seu filho Pedro, o Cruel, consertou-o e doou-o em 1363 às suas filhas Beatriz e Isabel para que pudessem transformá-lo num convento) e a Igreja-Museu de San Antolín (onde uma série de peças artísticas da própria igreja e várias outras da cidade são reunidas e exibidas, entre as quais destaca-se o túmulo da família Alderete. O edifício é uma igreja dos Séc. X e XVII, iniciada em meados do Séc. XVI e concluída por Gil de Reynaltos em 1644).

Merece também destaque a Igreja de Santa María (a maior igreja da cidade, construída em pedra e tijolos, entre os Séc. XVI e XVIII, com base gótica e evolução clássica), a Puente (não há referência à origem da atual ponte, nem data, nem vestígios, nem autores. A pontuação de seus arcos indica a sua origem medieval), a Muralla (cercava toda a cidade e tinha carácter fiscal e militar. Foi construída em pedra, tijolos e terra batida. Tinha quatro portões principais, que coincidem com os quatro pontos cardeais) e a Plaza Mayor, entre outros.

E foi precisamente na Plaza Mayor (uma praça toda com arcadas e com acesso pelas entradas de quatro ruas, cuja estrutura atual data do Séc. XVII, onde as casas de dois andares têm as lojas por baixo), localizada a cerca de 200 m das Casas del Tratado, onde acabámos por nos sentar na esplanada do restaurante Don Pancho para almoçar.

Almoço na Plaza Mayor (Tordesilhas).

O sol já ia bem alto, assim como o termómetro que indicava a temperatura ambiente. O ar quente e seco tornou-se num companheiro de viagem pouco desejado para a tirada da tarde, em mais umas centenas de quilómetros a rolar pelas regiões de Castilla y León e da Extremadura. As autovias/autopistas deram finalmente lugar às estradas nacionais, tornando assim o percurso bem mais interessante.

A travessia da Sierra de Gredos, cordilheira classificada como parque regional e um dos subsistemas montanhosos mais extensos do Sistema Central ibérico, trouxe maior animação à caravana, com o encadeado de curvas e contracurvas nas províncias espanholas de Ávila e Cáceres. Na transição entre estas duas províncias, passámos pelo ponto de maior altitude do dia, no Puerto de Tornavacas, a 1.275 m.

Aqui bem perto, nos contrafortes da Sierra de Béjar (o sector mais ocidental da Sierra de Gredos), no Valle del Ambroz, encontra-se a pacata localidade de Hervás. Nesta povoação, que tem o bairro judeu como património histórico de maior destaque, está sediado o Museo de la Moto y el Coche Clásico, o qual merece uma atempada visita.

As curvas e contracurvas da Sierra de Gredos (província de Cáceres).

Chegámos a Plasencia ao final da tarde, ainda com tempo para uma visita ao Casco Antíguo desta importante cidade da província de Cáceres, às margens do Rio Jerte, na comunidade autónoma da Extremadura.

O Hotel Alfonso VIII, um hotel clássico, senhorial e bem situado no centro histórico, a cerca de 200 m (3 min. a pé) da Plaza Mayor, foi o escolhido pela organização para acolher todo o grupo do Best Pirinéus Tour 2025. Sem possibilidade de estacionar as motas junto à unidade hoteleira, felizmente que o acordo estabelecido entre o hotel e um parque de estacionamento público nas proximidades, permitiu deixar as motas em segurança durante a estadia.

Plasencia conta com um centro histórico que é fruto da sua estratégica localização em plena Ruta de la Plata. Esta localidade foi habitada por romanos e árabes até que, no Séc. XII, Alfonso VIII a reconquistou e repovoou. O seu traçado medieval mostra-se claramente nos restos da sua muralha (construída nos finais do Séc. XII), entre os quais se destacam torreões e portas, como a do Sol ou o postigo de Santa María. A Catedral Vieja e a Catedral Nueva, a primeira construída entre os Séc. XIII e XIV (de estilo românico) e a segunda projetada em finais do Séc. XV (o templo mais ornamentado e ricamente decorado da Extremadura), são dois dos ex-libris da cidade.

Catedral Nueva de Plasencia.

Puerta de Trujillo (vista intramuros), Plasencia.

Palacio del Marqués de Mirabel (escudo com as armas de Zúñiga y Ayala, primeiros marqueses de Mirabel), Plasencia.

No centro de Plasencia fica a sua Plaza Mayor, lugar de reunião para moradores e visitantes dentro do recinto amuralhado da cidade, especialmente durante a celebração do Martes Mayor, uma festa anual de Interesse Turístico Regional. Um lugar perfeito para descansar e degustar a excelente gastronomia extremenha, onde se pode experimentar pratos de cogumelos, escabeches, trutas e cabrito, tanto assado como guisado. A mesa extremenha oferece ainda presunto ibérico da Dehesa de Extremadura, queijos de La Serena e cerejas do Vale do Jerte, todos com Denominação de Origem.

Palacio municipal (Ayuntamiento de Plasencia), com a torre sineira que alberga o símbolo da cidade: o Abuelo Mayorga (um autómato que informa as horas à população) e com o anúncio da festa Martes Mayor.

Queijo de cabra extremenho ‘El Cabrón’! LOL

E para não variar, considerando a grande oferta ao nível da restauração local, o jantar foi uma vez mais de escolha livre para todos os participantes. Um grupo alargado acabou por se juntar numa esplanada da Plaza Mayor, mais precisamente no Bar Café Torero, para aquele que seria o último jantar-convívio do tour, com as peripécias da viagem a servirem de mote para agradáveis momentos de boa disposição entre todos.

Animação no jantar-convívio na Plaza Mayor (Plasencia).

No final, regressámos ao hotel com um sentimento de alguma nostalgia. O Best Pirinéus Tour 2025 tinha praticamente chegado ao fim. O dia seguinte estava reservado para o regresso a casa de toda a caravana.

Continua...

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