quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Best Pirinéus Tour 2025 #5/8

Dia 5 (30/07/2025): Biescas – Jaca

Mais um dia repleto de emoção no Best Pirinéus Tour 2025, com a passagem em diversos col´s de alta montanha, sempre bem enquadrados por grandiosas paisagens.

Pese embora o ponto de partida e o ponto de chegada do 5.º dia do tour distarem apenas 30 km por estrada um do outro, a rota programada era substancialmente mais alargada. Levar-nos-ia por terras espanholas e francesas, com subida aos lagos de Panticosa, passagem no Col du Pourtalet, Col du Soulour, Col du Somport, Col de Marie Blanque, entre outros, visita à recuperada Estação Ferroviária de Canfranc, e chegada a Jaca (cidade património da Unesco) pela tarde.

Dia 5 – 245 km.

Despachadas as tarefas matinais da tomada do pequeno-almoço no hotel, da arrumação da bagagem e da lubrificação da corrente da mota, a caravana deixou então a vila de Biescas por volta das 08h30 rumo aos lagos de Panticosa.

Numa curta tirada de 25 km, por uma estrada que também foi uma antiga rota para a França através do Port du Marcadau (usada em tempos anteriores por pastores e contrabandistas), chegávamos ao Ibón de los Baños. Um lago natural localizado no Vale do Tena, a uma altitude de 1.630 m, que coleta as águas das torrentes que descem dos picos circundantes para dar origem ao Rio Caldarés.

O lago encontra-se nas imediações de um conjunto de fontes termais conhecidas desde a época romana, com temperaturas que atingem os 49 °C. As suas propriedades benéficas para a saúde deram origem a um conceituado spa com edifícios modernistas (Baños de Panticosa), declarado Património Cultural, e que oferece diversos serviços de saúde e beleza.

O grupo junto ao Ibón de los Baños, Panticosa (Huesca, Aragão).

Após a breve paragem junto ao tranquilo Ibón de los Baños, a caravana do Best Pirinéus Tour 2025 seguiu montanha acima, em direcção ao território francês. Com o passar dos quilómetros e à medida que a altitude aumentava, por oposição a temperatura ambiente ia gradualmente diminuindo. Nada que uma camada extra de roupa não tenha resolvido a questão.

Na passagem pelo Col du Pourtalet, um passo de montanha a 1.794 m de altitude na fronteira entre Espanha e França, efectuámos uma pequena pausa para tomar um café e aquecer um pouco. Por aqui encontrámos também alguns mamíferos ruminantes (gado bovino) que, vindos dos pastos circundantes, não se fizeram rogados em invadir o estacionamento e a estrada. Uma situação comum nestas paragens e para a qual é necessário ter atenção redobrada.

Pausa para um café no Col du Pourtalet (fronteira entre Espanha e França).

Das paisagens mais agrestes às mais verdejantes, os Pirenéus Atlânticos (Pyrénées Atlantiques) deslumbram todos os que por aqui passam. Num autêntico bailado de curvas e contra-curvas, com ganchos apertados, subidas íngremes e descidas acentuadas, as reviradas estradas em redor destas montanhas são extremamente viciantes e difíceis de resistir para todos aqueles que adoram viajar, especialmente em duas rodas.

Das paisagens montanhosas mais agrestes...

... às paisagens mais verdejantes, nos Pirenéus Atlânticos.

A caminho do Col d’Aubisque, mais um passo de montanha acima dos 1.700 m de altitude, (1.709 m), as esculturas de bicicletas que se podem ver em alguns locais junto à estrada não deixam dúvidas. Este local é também um paraíso para os entusiastas das bicicletas de estrada, sendo regularmente integrado no Tour de France, geralmente classificado como uma escalada de categoria especial (hors catégorie).

Por aqui os cenários são de cortar a respiração. E mesmo a calhar, junto ao hotel e restaurante Les Crêtes Blanches, tivemos a oportunidade de parar as motas para apreciar a grandiosa e deslumbrante vista dos penhascos em redor. Majestoso, sem dúvida!

Pequena paragem para apreciar as deslumbrantes vistas, perto do Col d’Aubisque.

E qual não é o meu espanto quando, de repente, surge na estrada uma mota bem diferente das modernas turísticas de aventura, supostamente mais adaptadas a este tipo de terreno. Tratava-se de uma idosa e respeitada BSA 500 cc de 1936 (provavelmente uma Model Q7), muito bem conservada, com condutor, passageiro e até alguma bagagem. Se dúvidas houvesse, ficou comprovado que não são só as motas trail e afins que andam pelos Pirenéus. É caso para dizer: velhos são os trapos!

Magnífica BSA 500 cc de 1936.

Fazendo fronteira com os Pirenéus Atlânticos, a região dos Altos Pirenéus (hautes-pyrénées) configura várias áreas geográficas distintas. A zona sul, ao longo da fronteira com a Espanha, é composta por montanhas como o Vignemale, o Pic du Midi de Bigorre e as cadeias Neouvielle e Arbizon. Uma segunda área consiste em colinas onduladas de baixa altitude. A parte norte é composta em grande parte por terras agrícolas planas.

Mas são os passos de montanha que, com as suas características particulares, acabam por ser as atracções da região e definir muitos dos seus pontos turísticos, como é o caso do Col Du Soulor (1.474 m). Este local foi também palco de inúmeras ascensões no Tour de France, mas apenas quinze (entre 1973 e 2025) contaram para a classificação do prémio da montanha (nas restantes, os pontos da montanha foram atribuídos apenas no Col d'Aubisque).

Chegada ao Col du Soulor (Altos Pirenéus).

Col du Soulor – 1.474 m (Altos Pirenéus).

Após uma pausa para tomar uma água, apreciar as vistas e juntar o grupo que já vinha um pouco disperso, retomámos a estrada e a rota do Best Pirinéus Tour 2025, não em direcção à cidade de Lourdes e ao seu conhecido santuário mariano, mas de volta aos Pirenéus Atlânticos rumo a Asson.

Uma curiosidade na passagem pela povoação de Ferrières (Occitânia), onde se pode observar que a placa que identifica a localidade está “de pernas para o ar”. A colocação de placas de identificação de localidades ao contrário é um ato deliberado, geralmente motivado por protestos políticos ou sociais. Na região espanhola da Catalunha, ativistas têm desaparafusado e virado as placas que indicam o nome dos locais como forma de chamar a atenção para determinadas causas ou reivindicações, como a independência da região.

A povoação de Ferrières (Occitânia) com a placa colocada “de pernas para o ar”.

Asson emerge na província de Béarn, entre colinas e picos altos. Está localizada no vale Gave de Pau, não muito longe de Coarraze, Bourdettes e Arthez-d'Asson. Antiga, a vila desenvolveu-se durante muito tempo em torno da sua abadia secular, vassala do Visconde de Béarn, da qual se libertou na segunda metade do Séc. XIII. Hoje, esta cidade no sudoeste da França é conhecida pelas suas paisagens intocadas, mas também por fazer parte da área de denominação de Ossau-iraty, pelos “Haricots Tarbais IGP” (feijões brancos com pele fina, textura delicada e carne derretida), pelo queijo “tomme noire des Pyrénées”, pato com foie gras do sudoeste e presunto de Bayonne que atraem bons gourmets.

Tudo bons motivos para uma boa degustação. Mas seria cerca de 5 km depois, na pequena localidade de Bruges (comuna de Bruges-Capbis-Mifaget), que nos sentaríamos à mesa do Café Restaurant du Commerce para o aguardado almoço. Um restaurante familiar, com cozinha de boa qualidade e pratos simples, mas caseiros.

O acesso ao passo de montanha seguinte parecia agora mais difícil devido ao “peso extra” do almoço, pese embora os pouco mais de 1.000 m de altitude que teríamos de vencer para lá chegar. Tratou-se do Col de Marie Blanque (1.035 m), localizado na estrada de ligação entre os dois vales vizinhos, o vale do Aspe e o vale do Ossau. Foi igualmente utilizado com regularidade pelo Tour de France, habitualmente classificado como uma escalada de primeira categoria (1re catégorie).

A caminho do Col de Marie Blanque (Pirenéus Atlânticos).

Antes da travessia do último passo do dia, o Col du Somport (porto montanhoso localizado na fronteira entre França e Espanha, a uma altitude de 1.640 m), uma curiosa construção na rocha fez-me desviar o olhar da estrada por breves momentos. Tratava-se do Fort du Portalet (na comuna de Etsaut), erigido num penhasco com cerca de 800 m de altura, com vista para o rio Gave d'Aspe. Responsável por proteger a estrada para o Col du Somport, destacam-se as galerias escavadas na rocha, ameadas ou com brechas.

Fort du Portalet (comuna de Etsaut).

De regresso ao território espanhol, chegávamos a um dos locais mais emblemáticos dos Pirenéus para uma visita à antiga Estação Ferroviária Internacional de Canfranc, uma imponente estação fronteiriça entre Espanha e França, inaugurada em 1928, construída para as transferências entre comboios espanhóis e franceses (que utilizavam bitolas ferroviárias diferentes).

Chegada à Estação Ferroviária Internacional de Canfranc.

O edifício principal tem uns impressionantes 241 m de comprimento, com 300 janelas e 156 portas (era a segunda maior da Europa, atrás da estação de Leipzig, Alemanha). Interligou as cidades de Saragoça (Espanha) e Pau (França) até 1970, onde um acidente com um comboio levou ao colapso da ponte de L’Estanguet (lado francês) e ao fim da circulação ferroviária nesta linha. Abandonada desde então, a estação voltou a abrir as suas portas em 2023 como hotel de luxo.

Estação Ferroviária Internacional de Canfranc.

Estação Ferroviária Internacional de Canfranc (Hotel).

Durante a II Guerra Mundial, Canfranc testemunhou detenções, espionagem e tráfico de ouro, adquirindo a reputação de “Casablanca nos Pirenéus”. No ano 2000, foram aqui acidentalmente descobertos mais de mil documentos que mostram que cerca de 75 toneladas de ouro nazi passaram pela fronteira a caminho de Portugal, contrariando a neutralidade oficial do país.

Ficou assim demonstrado o envolvimento português no maior conflito bélico acorrido até hoje, nomeadamente através do comércio ilegal de volfrâmio com os alemães. A elevada resistência deste minério a altas temperaturas e a sua capacidade de tornar as ligas metálicas ainda mais fortes e duradouras, tornavam-no uma matéria-prima crucial para a indústria do armamento (mais detalhes sobre esta história no Episódio 5 da série documental Portugal Secreto).

Canfranc encerra em si mesmo uma certa aura de mistério, e até de secretismo, digna do enredo de um filme de Hollywood. E como que para continuar a alimentar esta mística, o Túnel de Somport da ferrovia abandonada, bem no coração da montanha, é agora utilizado pelo Laboratório Subterrâneo de Canfranc, um laboratório científico que, protegido da radiação cósmica, se dedica sobretudo ao estudo de fenómenos naturais de ocorrência rara, como as interações dos neutrinos de origem cósmica ou da matéria escura com os núcleos atómicos. Parte do túnel é também utilizado como faixa de emergência para o actual Túnel Rodoviário de Somport.

Estação Ferroviária Internacional de Canfranc.

Histórias à parte e de regresso ao tour, cerca de duas dezenas de quilómetros depois chegávamos então a Jaca (província de Huesca, Aragão), concluindo assim o percurso do 5.º dia do Best Pirinéus Tour 2025. A comitiva ficou alojada no Hotel Oroel, localizado no coração da cidade, a poucos passos do centro histórico. Com as motas guardadas no parque de estacionamento coberto do hotel, o final da tarde foi aproveitado para conhecer um pouco melhor “a pérola dos Pirenéus”, como também é conhecida.

Jaca é uma cidade europeia e cosmopolita, paragem fundamental do Caminho de Santiago. É imprescindível visitar a Cidadela, exemplar da arquitetura militar do Séc. XVI e declarada Monumento Histórico-Artístico. A sua construção começou em 1592, tem uma planta pentagonal de grandiosas dimensões, um fosso, e está construída em terreno plano. Existem outros edifícios muito importantes, como a Catedral românica (Séc. XI), declarada Monumento Nacional, o Mosteiro dos Beneditinos, a Igreja de Santiago, a Ermida de Sarsa, a Ponte medieval de San Miguel, a Torre do Relógio (Séc. XV) e a Prefeitura.

Entre as suas festas destaca-se a da primeira sexta-feira de maio, que comemora uma batalha medieval. São feitos torneios, duelos a cavalo, um bonito espetáculo de “volteo de banderas” e provas de antigos desportos aragoneses como o arremesso de barra.

Catedral de São Pedro de Jaca.

Catedral de São Pedro de Jaca.

Acabámos por ser surpreendidos pelas largas centenas de pessoas que se aglomeravam ao longo da principal artéria da cidade, sempre muito animadas como é apanágio do povo espanhol. Percebemos depois que decorria o desfile dos grupos participantes na 53.ª edição do Festival Folklórico de los Pirineos, o evento mais antigo da Espanha e um dos mais reconhecidos do mundo. Declarado Festival de Interesse Turístico Nacional, é celebrado nos anos ímpares e, até 2009, alternava a sua organização com o município francês de Oloron-Sainte-Marie.

O evento reúne grupos folclóricos de diversos países e continentes. Música de rua e danças são combinadas com shows de palco, exposições e mostras gastronómicas. Neste final de tarde desfilaram grupos de Jaca, Ronda, Zamora, Marselha, Equador, Geórgia, Colômbia, Montenegro, México, Índia, Cuba, Turquia, Lesoto e Malásia.

Desfile do 53.º Festival Folklórico de los Pirineos (Jaca).

Devido à grande quantidade de restaurantes existentes em Jaca, a organização decidiu novamente não juntar o jantar ao alojamento no hotel. Assim, cada um ficou livre para escolher o que mais lhe apetecia comer. Mas com a grande quantidade de gente na cidade devido ao festival folclórico, encontrar um restaurante com mesa disponível não foi tarefa fácil. Após alguma procura, acabou por ser no Bar Jolio Jaca, perto da Igreja de Nossa Senhora de El Cármen, que nos conseguimos sentar para jantar.

Igreja de Nossa Senhora de El Cármen (Jaca).

Com um pequeno passeio nocturno pelas ruas de Jaca antes de regressar ao hotel, demos por terminado mais um dia em cheio por terras pirenaicas. No dia seguinte, o Best Pirinéus Tour 2025 iria certamente proporcionar novas e entusiasmantes aventuras para todos os participantes.

Continua...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Boas Festas 2025

A ‘Fita de Asfalto’ deseja a todos os motociclistas e entusiastas das motos um Feliz Natal e umas boas entradas no ano de 2026.


Regressando ao infindável tema das IPO (Inspeções Periódicas Obrigatórias), é sabido que os motociclistas cuidam das suas motos, porque sabem que as suas vidas dependem disso. E os vários estudos e diferentes estatísticas comprovam que as IPO não são sinónimo de maior segurança rodoviária ou redução da sinistralidade. Ainda assim, esta polémica continua a dar que falar, e o que parecia definitivo, afinal poderá não ser. Ou será que é?

Resumindo, a Comissão Europeia decidiu procurar sobrepor-se à vontade dos Estados-Membro e recolocou na agenda as Inspeções às motos, passando desta vez a querer forçar os países que ainda não têm inspeções, a aplicarem uma nova legislação europeia que as tornará absolutamente obrigatórias. Mas no que parece ser uma reviravolta, o Conselho da UE decidiu que não haverá IPO para motociclos. Esperemos que seja desta.

Votos de Boas Festas e Boas Curvas... em segurança!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

MotoGP 2025 - Miguel Oliveira em 20º

Ao longo dos últimos 15 anos tivemos um piloto português a representar o nosso País ao mais alto nível. Primeiro com o número 44 (125cc, Moto3 e Moto2) e, mais tarde, com o número 88 (MotoGP) nas carenagens das suas motos, Miguel Oliveira tornou-se o expoente máximo dos pilotos portugueses nas duas rodas. O único que esteve a tempo inteiro na categoria rainha do motociclismo de velocidade a nível mundial (Felisberto Teixeira chegou a competir no GP de Espanha de 1998 com uma Honda NSR V2 de 500cc).

Miguel Oliveira – Prima Pramac Yamaha Factory Team Yamaha YZR-M1 #88. Via

A temporada de 2025 fica então marcada pela despedida do piloto português do paddock do mundial de motociclismo de velocidade. Uma carreira que não terminou, é verdade, mas que, fruto de uma época pouco conseguida no que a resultados diz respeito, levou a que fosse preterido pela Prima Pramac Yamaha em favor do seu colega de equipa Jack Miller.

Miguel Oliveira explica um pouco o que aconteceu ao longo do processo negocial:

“Foi um pouco surpreendente, pois em 2024 eu assinei por 1+1 ano de projeto, onde sabíamos que o primeiro ano seria uma espécie de ano de aprendizagem que precisávamos sofrer e provavelmente terminar algumas corridas a lutar por posições de menor destaque. Mas foi para isso que assinei. Infelizmente sofri a lesão no início da temporada, quando perdi muitas corridas, e depois, assim que voltei disso, todos soubemos da contratação de outro piloto. Isso também surgiu de forma surpreendente, adicionando mais pressão, por isso sim, é algo que será interrompido numa fase em que eu penso que tínhamos mais potencial. Mas a vida é assim e andamos para a frente.

A minha situação era bastante clara porque eu tenho uma cláusula de performance no meu contrato que em parte não foi cumprida por causa da lesão, mas também em algumas corridas porque a moto não estava a ter uma performance boa o suficiente e não me foi possível mostrar o meu potencial. De qualquer forma, terminar em último é algo que não está nos meus planos como piloto, não mostra o meu verdadeiro valor e também as minhas capacidades. Por isso, de qualquer forma seria duro continuar desta forma”.

“É triste porque sei que ainda tenho muito potencial neste paddock e sair assim não é fácil”, desabafa o piloto luso, referindo ainda em jeito de balanço que “Tive uma carreira com que muitos pilotos só podem sonhar. Tive o privilégio de vencer em diferentes categorias e fiz parte de grandes equipas que me ajudaram a alcançar meu melhor potencial, especialmente nas Moto3 e Moto2. Sou grato a muitos fabricantes, muitas equipas e muitas pessoas que conheci ao longo destes anos e que me ajudaram a dar o melhor de mim. Tudo o que eu conquistar no futuro também será resultado de todas essas experiências”.

Miguel Oliveira participou em 247 corridas em todas as categorias, venceu por 17 vezes, sendo que 5 vitórias foram em MotoGP, obteve 5 “pole position” e subiu ao pódio por 41 vezes. Para além das vitórias em MotoGP, categoria em que a sua melhor classificação final foi um 9.º lugar (2020), destacou-se por ter sido vice-campeão em Moto2 (2018) e também em Moto3 (2015). Fecha assim a sua carreira em MotoGP com a época de 2025 marcada pela lesão sofrida no GP da Argentina, totalizando 43 pontos que lhe dão o 20.º lugar na classificação de pilotos.

Aqui fica o resumo da prestação de Miguel Oliveira nos 22 Grandes Prémios de MotoGP da temporada de 2025:

01, 02 Março - GP Tailândia (Circuito Chang International)
Sprint – 16.º lugar (0 pts.).
Corrida – 14.º lugar (2 pts.).

15, 16 Março - GP Argentina (Circuito Termas de Rio Hondo)
Sprint – Abandono [queda involuntária] (0 pts.).
Corrida – Não participou [lesionado].

29, 30 Março - GP Américas (Circuito das Américas)
Sprint e Corrida – Não participou [lesionado].

12, 13 Abril - GP Qatar (Circuito Losail)
Sprint e Corrida – Não participou [lesionado].

26, 27 Abril - GP Espanha (Circuito Jerez de La Frontera)
Sprint – Não participou [lesionado].
Corrida – Não participou [lesionado].

10, 11 Maio - GP França (Circuito Bugatti-Le Mans)
Sprint – 20.º lugar (0 pts.).
Corrida – Abandono [queda] (0 pts.).

24, 25 Maio - GP Grã-Bretanha (Circuito Silverstone)
Sprint – 16.º lugar (0 pts.).
Corrida – 16.º lugar (0 pts.).

07, 08 Junho - GP Aragão (Circuito Motorland Aragón)
Sprint – 15.º lugar (0 pts.).
Corrida – 15.º lugar (1 pt.).

21, 22 Junho - GP Itália (Circuito Mugello)
Sprint – 13.º lugar (0 pts.).
Corrida – 13.º lugar (3 pts.).

28, 29 Junho - GP Países Baixos (Circuito Assen)
Sprint – 12.º lugar (0 pts.).
Corrida – Abandono [colisão] (0 pts.).

12, 13 Julho - GP Alemanha (Circuito Sachsenring)
Sprint – 11.º lugar (0 pts.).
Corrida – Abandono [queda] (0 pts.).

19, 20 Julho - GP Chéquia (Circuito Brno)
Sprint – 13.º lugar (0 pts.).
Corrida – 17.º lugar (0 pts.).

– Pausa de Verão –

16, 17 Agosto - GP Áustria (Circuito Red Bull Ring)
Sprint – 18.º lugar (0 pts.).
Corrida – 17.º lugar (0 pts.).

23, 24 Agosto - GP Hungria (Circuito Balaton Park)
Sprint – 14.º lugar (0 pts.).
Corrida – 12.º lugar (4 pt.).

06, 07 Agosto - GP Catalunha (Circuito Barcelona-Catalunha)
Sprint – 10.º lugar (0 pts.).
Corrida – 9.º lugar (7 pts.).

13, 14 Setembro - GP San Marino e Riviera Rimini (Circuito Misano)
Sprint – 16.º lugar (0 pts.).
Corrida – 9.º lugar (7 pts.).

27, 28 Setembro - GP Japão (Circuito Mobility Resort Motegi)
Sprint – 15.º lugar (0 pts.).
Corrida – 14.º lugar (2 pts.).

04, 05 Outubro - GP Indonésia (Circuito Pertamina Mandalika)
Sprint – 9.º lugar (1 pt.).
Corrida – 11.º lugar (5 pts.).

18, 19 Outubro - GP Austrália (Circuito Phillip Island)
Sprint – 14.º lugar (0 pts.).
Corrida – 12.º lugar (4 pts.).

25, 26 Outubro - GP Malásia (Circuito Internacional Sepang)
Sprint – Abandono [queda] (0 pts.).
Corrida – 19.º lugar (0 pts.).

08, 09 Novembro - GP Portugal (Autódromo Internacional do Algarve)
Sprint – 16.º lugar (0 pts.).
Corrida – 14.º lugar (1 pt.).

15, 16 Novembro – GP Comunidade Valenciana (Circuito Ricardo Tormo)
Sprint – 17.º lugar (0 pts.).
Corrida – 11.º lugar (5 pts.).

Classificação final: 1.º Marc Márquez (Ducati Lenovo Team – #93), 545 pts.; 2.º Alex Márquez (BK8 Gresini Racing MotoGP – #73), 467 pts.; 3.º Marco Bezzecchi (Aprilia Racing – #72), 353 pts.; 4.º Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory Racing – #37), 307 pts.; 5.º Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team – #63), 288 pts.; ... ; 20.º Miguel Oliveira (Prima Pramac Yamaha MotoGP – #88), 43 pts.; etc.

No que à luta pelo campeonato diz respeito, Marc Márquez (Ducati Lenovo Team – #93) foi verdadeiramente imperial ao longo de toda a época, numa demonstração de talento e determinação pouco vistas neste desporto, especialmente depois de anos difíceis a debelar lesões preocupantes que poderiam ter colocado um fim à sua carreira.

E nem a ausência nos últimos quatro grandes prémios, devido a lesão sofrida numa queda durante o GP da Indonésia, impediu o piloto espanhol de conquistar o 7.º título de Campeão do Mundo de MotoGP, seis anos após a conquista daquele que tinha sido o seu último título (2019), igualando os 9 títulos mundiais de Valentino Rossi.

Quanto a Miguel Oliveira, 15 anos depois despede-se então do campeonato mundial de velocidade, aquela que foi a sua casa fora de casa, um paddock onde conquistou a admiração de todos. Pilotos, mecânicos, diretores de equipas, chefes de equipa, fabricantes, jornalistas e também, claro, os fãs do campeonato.

Depois de alguns meses de especulação, foi confirmada a contratação do piloto português pela equipa ROKiT BMW Motorrad WorldSBK para 2026. Na prática, a questão resume-se à troca entre Miguel Oliveira e Toprak Razgatlioglu (o campeão de 2025), bem como entre a equipa satélite Prima Pramac Yamaha MotoGP e a equipa oficial BMW Motorrad WorldSBK.

Oliveira vai assim juntar-se a Danilo Petrucci, antigo colega de marca no MotoGP (KTM em 2020), sendo que para Miguel Oliveira será uma mudança completa de campeonato e de tipo de moto, passando o #88 a estar em destaque nas carenagens da BMW M 1000 RR da ROKiT BMW Motorrad WorldSBK.

Miguel Oliveira com a sua nova BMW M 1000 RR da ROKiT BMW Motorrad WorldSBK (teste em Jerez). Via

E sem fechar definitivamente a porta ao MotoGP, o piloto de Almada ainda mantém uma ténue esperança sobre a possibilidade de vir a ser piloto de testes da Aprilia Racing, enquanto compete pela BMW Motorrad no Mundial SBK. Estamos a falar de um piloto oficial de um fabricante num campeonato de motociclismo poder estar a trabalhar em simultâneo por outro fabricante, noutro campeonato. Não é habitual, mas...

Força Miguel!

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Best Pirinéus Tour 2025 #4/8

Dia 4 (29/07/2025): Andorra – Biescas

Para este quarto dia do Best Pirinéus Tour 2025 estavam igualmente reservadas paisagens arrebatadoras, quer pelo sobe e desce de montanha, com passagens em diversas zonas de grande beleza (incluindo a entrada na comunidade autónoma de Aragão), quer pela visita a Ainsa, local património da Unesco. A chegada no final do dia seria em Biescas, um interessante e típico município de montanha.

Dia 4 – 330 km.

Depois da rotina matinal da tomada do pequeno-almoço no hotel e da arrumação da bagagem na mota, a caravana deixou a cidade de Andorra-a-Velha por volta das 08h30. Poucos quilómetros após a passagem na fronteira e já em solo espanhol, foi efectuada uma breve paragem para voltar a ligar os dados móveis dos telemóveis, já que estes tinham sido desligados no dia anterior para evitar surpresas desagradáveis, devido a não haver roaming com Portugal em Andorra.

O track do Best Pirinéus Tour 2025 encaminhou-nos pelo magnífico Parque Natural dos Altos Pirenéus (Parc Natural de l'Alt Pirineu), a maior área natural protegida da Catalunha, com uma área de quase 80.000 ha. Sob o pico mais alto dos Pirenéus Catalães, o Pica d'Estats (3.143 m), este território único é uma reserva do património natural e cultural dos Pirenéus.

A passagem por La Seu d'Urgell foi breve, mas esta que é a cidade mais importante do norte da província de Lérida, merece que lhe dediquemos um pouco mais de tempo. Situada na confluência dos rios Valira e Segre e dominada ao sudeste pela espetacular Serra de Cadí, o seu monumento mais interessante é a Catedral, belo exemplar do românico italianizante na Catalunha, dos Séc. XI e XII. Também se destacam a igreja românica de Sant Miquel, do Séc. XI e a da Sagrada Família, a Casa da Cidade, do Séc. XV e um Museu Diocesano, que exibe notáveis peças da pintura e da escultura medievais. No centro histórico, formado por belas ruas com pórticos e velhos casarões, encontra-se o convento de Sant Domingo, que foi transformado em Parador de Turismo.

Meia centena de quilómetros depois e ao atravessarmos o Rio Noguera Pallaresa, no município de Sort, a presença massiva de caiaques e de lojas relacionadas com desportos aquáticos denunciava a principal actividade desportiva desta região da província de Lérida. Tínhamos chegado ao paraíso do rafting, da canoagem e do canyoning. Com as “águas bravas” do rio por perto, a pausa a meio da manhã teve lugar em Llavorsí, para tomar um café e apreciar as belezas naturais deste local.

Llavorsí, Parque Natural dos Altos Pirenéus (Lérida, Catalunha).

Rio Noguera Pallaresa, Parque Natural dos Altos Pirenéus (Lérida, Catalunha).

Continuávamos a rolar tranquilamente em pleno Parque Natural dos Altos Pirenéus, por estradas de boa qualidade e rodeados de paisagens verdadeiramente arrebatadoras. As sempre bem-vindas curvas eram as companheiras ideais da viagem que rumava ao ponto mais elevado do dia, a 2.072 m (Port de La Bonaigua), num agradável encadear de curva e contracurva que requereu atenção e, por vezes, alguns cuidados adicionais, para evitar quedas que pudessem levar a males maiores do que uns simples riscos na pintura da mota.

Paisagens magníficas do Parque Natural dos Altos Pirenéus (Lérida, Catalunha).

Curvas e contracurvas no Parque Natural dos Altos Pirenéus (Lérida, Catalunha).

O atravessamento dos pitorescos povoados de montanha traz um colorido diferente à paisagem, com a pedra e a madeira em grande destaque nas características casas de telhado negro e de inclinação acentuada. Foi o caso de Arties, uma localidade do município de Alto Arán (província de Artiés y Garós, na comarca do Vale de Arán), localizada na confluência entre o rio Garonne e seu afluente Valarties, a uma altitude de 1.144 m.

Atravessamento da povoação de Arties (província de Artiés y Garós, comarca do Vale de Arán).

Na passagem pela cidade de Vielha (Lérida, Catalunha), é notória a sua dimensão e importância relevante como destino turístico popular em Espanha, conhecida pelas suas atividades ao ar livre, património histórico e beleza natural.

Vielha, a capital do Vale de Arán, está rodeada de cumes montanhosas que superam 2.000 m de altitude. A sua origem é da época romana, quando a vila era conhecida pelo nome de Vétula e conforme diz a lenda, era a pátria do gigante Mandronius, que lutou contra a invasão romana. No Séc. X, a cidade foi vinculada aos condados catalães por meio de acordos feudais.

Percorrendo os Pirenéus Aragoneses (província de Huesca).

Foi já em plena comunidade autónoma de Aragão, mais propriamente na província de Huesca, que acabámos por nos sentar à mesa do bar restaurante La Morena, em Castejón de Sos, para almoçar. Retomámos depois a estrada com o estômago mais aconchegado, serpenteando pelos Pirenéus Aragoneses até um dos locais mais espectaculares da região.

O troço da estrada N-260 (também conhecida por Eje Pirenaico, Eixo dos Pirenéus) entre as localidades de Castejón de Sos e Campo, irrompe pelo Congosto de Ventamillo (desfiladeiro de Ventamillo) e o vale do Rio Ésera. Este desfiladeiro é uma característica geográfica que dá acesso ao vale de Benasque, na região de Ribagorza (Huesca, Aragão). É um canyon estreito, com paredes verticais de mais de 300 m, com cerca de 2.200 m de comprimento no seu troço mais estreito, que tem até 10 km no total, por onde passa a estrada N-260, construída em 1916. A fisionomia da área é basicamente formada por rochas calcárias e é o local por onde os glaciares que desceram do maciço da Maladeta vieram em direcção às montanhas.

Congosto de Ventamillo (desfiladeiro de Ventamillo) e vale do Rio Ésera (Huesca, Aragão).

Congosto de Ventamillo (desfiladeiro de Ventamillo) e vale do Rio Ésera (Huesca, Aragão).

Entretanto e com o calor a fazer-se sentir de forma mais intensa, chegávamos a Aínsa-Sobrarbe, localidade inserida no Geoparque Global Sobrarbe-Pirineus da Unesco, e uma das Povoações Mais Bonitas de Espanha.

Capital do antigo reino de Sobrarbe, que foi incorporado ao de Aragão no Séc. XI, a vila constitui um magnífico expoente do urbanismo medieval. Declarada Conjunto-histórico-artístico, apresenta em seu centro histórico um conjunto uniforme e amontoado de casas incrivelmente harmónico, onde se destacam a esbelta torre de La Colegiata e o enorme recinto do castelo, quase tão grande como o resto do povoado. Conserva quase totalmente as muralhas que o rodeavam e está repleto de monumentos que o transportarão de volta à Idade Média.

Junto à praça, com alpendres aos dois lados, destaca-se a igreja românica de Santa Maria, de finais do Séc. XI. Nela pode-se admirar o seu portal, uma interessante cripta e a sua torre que domina a paisagem urbana. Um pouco posterior é o claustro, realizado no Séc. XIII. No noroeste da zona urbana é conservada a cidadela. A sua origem é uma torre pentagonal, construída em meados do Séc. XI e integrada ao sistema de defesa contra a ameaça muçulmana. Posteriormente esta fortaleza foi revitalizada no final do Séc. XVI, construindo-se a atual cidadela dentro do sistema defensivo da fronteira com a França. Em comemoração da reconquista da vila é realizada em setembro uma representação de mouros e cristãos chamada La Morisma.

Plaza Mayor de Aínsa-Sobrarbe (Huesca, Aragão).

Aínsa-Sobrarbe (Huesca, Aragão).

Aínsa-Sobrarbe (Huesca, Aragão).

De novo na estrada e já com Aínsa-Sobrarbe e o Eje Pirenaico para trás, a caravana seguiu pelo Parque Natural de Posets-Maladeta (conjunto montanhoso localizado no setor mais norte-oriental do Pirineu Aragonês, que abriga alguns dos picos mais altos da Península Ibérica) a caminho da segunda travessia espectacular do dia.

Situado na região do Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido (o segundo parque nacional mais antigo da Espanha, declarado em 16 de agosto de 1918 pelo Real Decreto 16-08-1918 com o nome de “Vale de Ordesa”), o Canyon de Añisclo (Vale de Vió) é uma das paisagens mais extraordinárias de Aragão. Um desfiladeiro profundo esculpido ao longo dos séculos pela intensa erosão do Rio Bellós. As inúmeras e altas quedas de água, a floresta densa e a sensação de estar num lugar único foram motivos suficientes para a sua inclusão no Parque Nacional em 1982.

Um local verdadeiramente encantador, mas onde foi necessário ter especial atenção durante a travessia, devido à pouca largura da estrada, às curvas cegas do trajecto e principalmente devido à acumulação de pedras em diversos locais, oriundas de pequenos desprendimentos que vão ocorrendo nas encostas rochosas adjacentes.

Canyon de Añisclo (Huesca, Aragão).

Canyon de Añisclo (Huesca, Aragão).

O trajeto deste 4.º dia do Best Pirinéus Tour 2025 aproximava-se do seu final. A caravana motociclística percorria os últimos quilómetros rumo a Biescas, não sem antes atravessar a localidade de Gavín, uma povoação que foi praticamente destruída durante a Guerra Civil Espanhola, mas que mantém o sabor tradicional das típicas aldeias de montanha.

Entrada na localidade de Gavín (Huesca, Aragão).

No final da tarde chegávamos então a Biescas, um município localizado a 875 m acima do nível do mar, constituindo a porta de entrada para o Vale do Tena. Esta vila pirenaica está situada num antigo vale glaciar e estende-se por ambas as margens do Rio Gállego, dando origem a dois bairros distintos: El Salvador e San Pedro, presididos pelas igrejas com o mesmo nome. Na área circundante, pode visitar-se a Ermida de Santa Elena e dois dólmens neolíticos, que podem ser acedidos a pé por um caminho fácil.

A uma curta distância de Biescas encontra-se a Rota das Igrejas de Serrablo, que inclui preciosidades como San Bartolomé de Gavín e San Pedro de Lárrede. Biescas é também um destino importante para os amantes de desportos de neve, uma vez que a famosa estância de esqui Aramón Formigal-Panticosa está localizada no vale.

Bem no coração de Biescas fica o Hotel Casa Ruba (La Posada de Ruba), local de pernoita de todos os elementos do tour. Com poucas possibilidades para estacionar as motas nas ruas apertadas junto ao hotel, felizmente que a existência de um espaço amplo nas traseiras acabou por permitir o seu estacionamento, a apenas 100 m (2 min. a pé) de distância.

Devido à grande dimensão do grupo e à oferta relativamente limitada ao nível da restauração local, a organização já tinha assegurado a reserva do jantar para a totalidade dos 26 participantes. Este acabou por ter lugar por volta das 20h30, não no Hotel Casa Ruba, mas sim no elegante Restaurante La Lifara (Hotel Tierra de Biescas), a cerca de 250 m do alojamento.

Jantar de grupo no Restaurante La Lifara (Hotel Tierra de Biescas).

Já com quatro dias de tour passados e muitos quilómetros percorridos em comum, a boa disposição foi uma constante durante o jantar de grupo, num espírito de são convívio entre todos. A animação à mesa foi grande, acabando inclusive por contagiar outros clientes do restaurante que se encontravam nas proximidades.

Muitas histórias e peripécias depois, pouco mais restou que percorrer as ruas de regresso ao alojamento e recolher aos aposentos. No dia seguinte teríamos uma nova grande aventura pirenaica pela frente.

Continua...