Basta imprimir as diversas peças num papel rijo (tipo cartolina), pegar numa tesoura, num tubo de cola e com uma boa dose de paciência colocar mãos à obra.
Aqui ficam os desenhos e as instruções (em Alemão):
Esta versão do realizador David Fincher baseada na primeira parte da trilogia best-seller Millennium da autoria do falecido escritor sueco Stieg Larsson, conta com a participação da actriz Rooney Mara no papel da “miúda do Dragão” Lisbeth Salander, uma hacker ciber-gótico-psicótica que conduz uma Honda CL350 do final dos anos 60 do século XX devidamente cafeinada pela GLORY Motor Works.
Com um estilo misto de café racer/scrambler, esta criação dos americanos da GLORY Motor Works foi concebida de acordo com as exigências do argumento (condução em estrada a grande velocidade e fora de estrada em pisos de gelo e neve) em apenas 30 dias, num total de 3 modelos idênticos, não fosse o Diabo tecê-las durante as filmagens e originar atrasos e custos adicionais à produção devido a avarias ou outras peripécias do género (o Sr. Murphy está sempre à espreita... lol).
Sem nunca ter andado de mota antes, a própria Rooney Mara confessa que “conduzir a mota era a coisa que eu não queria fazer”. Mas ao fim de três intensivos dias de aprendizagem, a destemida Rooney estava pronta para fazer o que fosse necessário perante a câmara com esta Honda CL350 modificada, a velocidades na ordem dos 60 km/h.
Hélder Rodrigues (à esquerda) no pódio com Despres e Coma. Via
Em 2011 Hélder Rodrigues só alcançou o 3.º lugar no último dia, devido a problemas sofridos por um adversário, mas desta vez o Campeão Mundial de TT cedo assumiu a posição, na quarta etapa. A partir daí ampliou a vantagem sobre os imediatos perseguidores, patenteando grande rapidez e consistência na acção (obteve 2 vitórias em etapas). Só mesmo dois “monstros sagrados”, Cyril Despres e Marc Coma, estiveram globalmente inacessíveis ao português, até porque as primeiras etapas não correram de feição a Rodrigues – alguns problemas mecânicos desde logo provocaram substancial diferença para os dois primeiros. Independentemente disso, bisar o pódio no “Dakar” constitui uma façanha só acessível a pilotos de eleição.
O Campeão Mundial de TT a caminho de bisar o 3.º posto no “Dakar”. Via
Em jeito de balanço, Hélder Rodrigues (Yamaha n.º 3) considera que “terminar um Dakar é excelente, subir ao pódio é extraordinário. Terminaram à minha frente dois grandes pilotos.” Quanto à evolução da própria prova, Hélder também é claro na análise: “Tive a infelicidade de perder 20 minutos na quarta etapa, e outros 20 dois dias depois, o que tornou quase impossível fazer melhor que o 3.º lugar, como eu tanto ambicionava. Tenho uma excelente moto, mas necessito de maior apoio financeiro para poder ter uma estrutura que me permita lutar pela vitória.”
Ruben Faria (KTM n.º 8) concluiu a prova no 12.º lugar, resultado deveras positivo para um piloto cuja táctica foi sempre condicionada pelas necessidades do seu chefe-de-fila, Despres. Além de averbar 40 minutos de penalização, em algumas etapas Faria também perdeu tempo para esperar pelo francês, quando este partiu à sua retaguarda. Seja como for, uma vez mais o algarvio cumpriu fielmente o seu papel e objectivo prioritário – prestar o melhor contributo para o triunfo de Despres.
Ruben Faria (à esquerda) a escoltar o vencedor, Cyril Despres. Via
Após ter desistido por lesão nas duas edições anteriores, Paulo Gonçalves (Husqvarna n.º 7) voltou a terminar a maratona, mas com um travo amargo face ao resultado. Isto porque o piloto de Esposende esteve em grande destaque, fechou a primeira semana de prova num expressivo 4.º lugar, mas devido a controverso protesto formulado por um adversário, recebeu 6 horas de penalização por alegada ajuda externa na oitava etapa. Gonçalves caiu então para a casa dos “trigésimos”, recuperando até à 26.ª posição final – nada que traduza capazmente o seu forte andamento, embora seja sempre positivo chegar ao fim desta prova.
A polémica na etapa n.º 8: Depois de ter ajudado Cyril Despres, Paulo Gonçalves fica sem a ajuda deste para sair da ratoeira de lama onde ambos foram apanhados
Pedro Bianchi Prata (Husqvarna n.º 46) conheceu alguns problemas e cedo acumulou atraso superior às expectativas traçadas, devido ao pó e a problemas mecânicos, estes registados em duas etapas. Assim, desta vez não fechou o “top 30”, completando a função no 42.º lugar. Portanto, na primeira metade da tabela dos 97 pilotos classificados – pouco mais de metade dos 178 à partida. Um resultado positivo para o portuense, pela quinta vez presente na meta da grande maratona. “Chegou ao fim mais um Dakar, a missão foi cumprida, mas os objectivos não”, confessou Bianchi. “Mas o Dakar é mesmo assim, tudo pode acontecer. Foi uma Dakar duro, e quem chegou ao fim foi bem merecido. A equipa trabalhou muito bem e sem eles nada disto era possível.”
Pedro Bianchi Prata completou a prova na 42.ª posição. Via
Classificação final do Dakar Argentina-Chile-Peru 2012:
Richard Pollock já mexe em motas desde 1969. Este antigo surfista que mais tarde criou a Mule Motorcycles, empresa americana sediada em Poway, California (cerca de 200 km a SE de Los Angeles), possui um toque especial para a construção de motas “feitas à medida” tipo street tracker, com muita classe e um equilíbrio perfeito entre a componente estética e mecânica.
Concebida em colaboração com a revista Cycle World, esta elegante e musculada street tracker denominada ‘Web Surfer’ tem por base um quadro modificado de uma Harley-Davidson Sportster de 1972 com um motor de 1993, uma forquilha de uma Ducati 900SS/SP e duas jantes de uma Kawasaki que montam pneus Maxxis. Possui ainda a particularidade interessante e pouco comum em veículos de duas rodas, de ter a secção traseira (que inclui o assento) meticulosamente trabalhada em madeira de balsa.
Outra das curiosidades em torno da construção da ‘Web Surfer’ foi a utilização de materiais das mais diversas proveniências, como o eBay, vendas de garagem (as famosas garage sales), peças sobresselentes e artigos com desconto nos revendedores locais. Tudo isto foi depois montado por Richard Pollock na sua pequena oficina das instalações da Mule Motorcycles, conseguindo obter um magnífico produto final com um orçamento de apenas $8,000 (pouco mais de € 6.000 na cotação actual).
Mais cedo ou mais tarde, todo o esforço e dedicação que Richard coloca no seu trabalho teria que dar os seus frutos, como ficou demonstrado na edição de 2009 do evento LA Calendar Motorcycle Show / Calendar Bike Building Championship, onde a ‘Web Surfer’ obteve o primeiro lugar na classe Iron Works Sporster.