sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Turbo Visor

Conduzir veículos motorizados a céu aberto, em especial os de duas rodas como as motas ou as scooters, é uma experiência verdadeiramente única e uma sensação de liberdade difícil de descrever a quem nunca experimentou.
O grande problema coloca-se nos dias de chuva, onde a visibilidade diminui drasticamente, dificultando a percepção do que vai surgindo à nossa frente.

Quando surgiram os capacetes para proteger a cabeça contra ferimentos graves resultantes de quedas, que inicialmente não passavam de simples “toucas” em pele (tipo aviador) e que depois evoluíram para materiais mais rígidos como o plástico ou a fibra, a sua configuração aberta obrigava à utilização de óculos para a protecção dos olhos. Mais tarde chegavam os capacetes fechados (ou integrais) que passaram a dispor de uma prática viseira basculante.
Mas a principal questão manteve-se... O que fazer para ver através da chuva?

“Spins the rain away”

Ora na primeira metade da década de 1960, o piloto inglês Lance Macklin inventa o Turbo Visor que consiste numa viseira universal, aplicável a qualquer tipo de capacete, que pode ser utilizada tanto em desportos motorizados como em estrada por qualquer motociclista.

Via

Por mais estranho que pareça, o Turbo Visor tem tanto de esquisito como de eficiente.
O “segredo” está numa fixação ajustável ao capacete (tipo cinta) com um pino à frente, no qual está fixado um disco côncavo de material plástico transparente, com cerca de 20cm de diâmetro.

Sem ligações eléctricas de qualquer espécie, o seu funcionamento é extremamente simples.
A face convexa do disco possui pequenas aletas dispostas em intervalos regulares junto ao bordo exterior, de tal forma que em andamento criam resistência aerodinâmica suficiente para conferir um movimento de rotação no disco, numa acção semelhante à dos moinhos de vento.

Revista ‘Motor Cycle’ (9 de Abril de 1964). Via

A utilidade deste original acessório é então dada pela rotação do disco que, girando sobre o seu eixo e devido à força centrífuga, faz com que a água seja afastada pela face convexa e permita uma boa visibilidade na zona central. 

A empresa londrina Cleaver-Hume International assegurou a produção deste acessório, com o objectivo de que os motociclistas tivessem os seus capacetes equipados com o Turbo Visor nas suas deslocações em dias de chuva.
Para tal, elaborou uma campanha publicitária que contou, entre outros, com a imagem e o depoimento do hexacampeão mundial de motociclismo Jim Redman: “You really can see in the rain with Turbo Visor” (Você realmente pode ver na chuva com o Turbo Visor).

Revista ‘Motor Cycle’ (8 de Abril de 1965). Via

Apesar da alegada eficiência do sistema e salvo algumas excepções (como foi o caso do piloto britânico Graham Hill na corrida de F1 do Daily Mirror Trophy de 1964), a sua utilização acabou por não ter grande aceitação por parte dos motociclistas, principalmente devido ao desequilíbrio causado pelo efeito de vela em que poderiam incorrer com o virar da cabeça durante a condução.

Graham Hill no II Daily Mirror Trophy (1964). Via 

No entanto, não deixa de ser curioso que este estranho acessório tenha sobrevivido à passagem do tempo, sendo actualmente comercializado pela conhecida marca de equipamento para desportos motorizados Sparco e utilizado essencialmente por alguns praticantes de karting.

Sparco Turbo Visor. Via

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A dinastia Dunlop

“Nada a temer, tudo a perder”

Via 

Narrado pelo conhecido actor irlandês Liam Neeson e produzido pela DoubleBand Films de Belfast (Irlanda do Norte), ROAD é um documentário sobre a extraordinária e dramática história de duas gerações da família Dunlop, personalizada por dois conjuntos de irmãos norte-irlandeses que têm dominado o road racing ao longo de mais de trinta anos: Joey/Robert e William/Michael.

Sobejamente conhecidos e admirados por todos os fans das road races, Joey “King of The Roads” Dunlop e Robert Dunlop, dois homens pacatos naturais da localidade rural Ballymoney (Condado de Antrim, Ulster), que enquanto pilotos arriscaram tudo para ganhar as suas corridas.
William Dunlop e Michael Dunlop, filhos de Robert e sobrinhos de Joey, são dois dos melhores road racers da actualidade e representam a nova geração dos Dunlop, determinados a continuar a tradição da família através das suas (já brilhantes) carreiras.

Aqui ficam alguns dados estatísticos sobre estes grandes campeões na mais importante prova de road racing, o mítico Isle of Man TT: 
  Joey Dunlop (1952–2000) 48 anos ; 26 vitórias (recordista absoluto) ; 40 pódios. 
Robert Dunlop (1960–2008) 47 anos ; 5 vitórias ; 14 pódios. 
William Dunlop (1985–presente) 29 anos ; 0 vitórias ; 5 pódios. 
Michael Dunlop (1989–presente) 25 anos ; 11 vitórias (+ 1 no Classic TT-Manx GP) ; 19 pódios. 

Com 102 min. de duração, o filme foi escrito, produzido e realizado por Dermot Lavery e Michael Hewitt. A estreia mundial decorreu em Março no 14.º Belfast Film Festival (2014) e o lançamento nos cinemas ocorreu três meses depois, a 11 de Junho, no Reino Unido. 

Trailer: 



Duas gerações de uma família. Unidos pelo sucesso. Unidos pela perda.