segunda-feira, 10 de março de 2014

Des Molloy

“Graças a Deus que não encontraram a cura para o motociclismo!”

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As motas e as viagens são duas das principais componentes da vida do neozelandês Des Molloy. A sua grande paixão pelas duas rodas e pela descoberta de novas terras e gentes levou-o a percorrer muitos milhares de quilómetros ao longo da sua vida, pelas mais variadas regiões do mundo, aos comandos de motas que à partida não seriam as mais indicadas para este tipo de aventuras.

No ano de 1970, Des, a sua mulher Stephanie e a sua ‘Penelope’ (uma Panther 120 650cc de 1965 fabricada em Yorkshire pela Phelon & Moore) partiram para uma viagem pelo continente americano, desde a cidade americana de Nova Orleães (Luisiana) até à capital argentina de Buenos Aires, numa aventura de descoberta que durou um ano. 

Em 2005 e já septuagenário, Des conduziu novamente a sua fiel ‘Penelope’ numa épica viagem desde Pequim (China) até Arnhem (Holanda), na companhia do também septuagenário Dick Huurdeman aos comandos de outra monocilíndrica clássica, uma Norton 19S 600cc de 1954 baptizada de ‘Dutch Courage’.
A rota foi programada ao longo da antiga Rota da Seda, atravessando montanhas e regiões geladas na China, Mongólia, Cazaquistão e Paquistão, passando por desertos escaldantes no Irão e na Turquia, a caminho da Grécia, Itália, Alemanha e finalmente a Holanda. 
Juntos, os dois motociclistas percorreram um total de mais de 16.000 km, com os últimos 4.800 km a serem efectuados numa corrida frenética de pouco mais de uma semana, conduzindo até 12 horas por dia!

Des Molloy, o seu filho Steve e Dick Huurdeman (The Last Hurrah). Via

O filho de Des, Steve, acompanhou os dois destemidos aventureiros, assegurando algum apoio logístico aos “velhotes”, bem como a reportagem da viagem que mais tarde viria a ser publicada pela Panther Publishing num livro e DVD intitulados “The Last Hurrah”. 


The Last Hurrah (2005) – Livro e DVD. Via 

Logo no ano seguinte e agora com a sua filha Kitty, Des Molloy foi novamente para a estrada em Agosto de 2006 para recriar a viagem que Robert M. Persig realizara em 1968, chamando-lhe Zen and the Last Hurrah II. A viagem original de Persig (com o seu filho Chris), descrita de forma filosófica no livro Zen and the Art of Motorcycle Maintenance: An Inquiry into Values de 1974, levou-o a percorrer as estradas americanas entre o Minnesota e o Norte da Califórnia durante 17 dias, aos comandos de uma Honda CB77 305cc de 1965, juntamente com o casal amigo John e Sylvia Sutherland (numa BMW R60/2 600cc) que o acompanhou durante os primeiros 9 dias.

Viagem original de Robert Persig de 1968 (Zen and the Art of Motorcycle Maintenance). Via

Mais recentemente, em 2011, Molloy fez uma breve aparição no programa
World's Greatest Motorcycle Rides – Série 7 do Travel Channel, numa pequena entrevista conduzida pelo apresentador Henry Cole durante a viagem que efectuou à Nova Zelândia:




Sempre com um ar descontraído e bastante informal, Des Molloy fala com orgulho das motas clássicas que o acompanharam nas suas viagens por 50 países, bem como algumas das muitas histórias que certamente acumulou ao longo de toda uma vida dedicada às duas rodas: 




Um motociclista com ‘M’ maiúsculo! 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O estranho caso do MC Lisboa

Por uma opção meramente pessoal, devo começar por dizer que nunca fiz parte de nenhum moto clube, grupo motard ou outra associação do género, embora apoie e reconheça o seu papel extremamente importante junto da comunidade motociclística, quer seja na defesa dos seus direitos enquanto utilizadores de veículos de duas rodas, ou no convívio salutar entre os seus associados e amigos, abrangendo várias actividades tais como as concentrações de motas.

Apesar disso, durante a última década e meia participei em diversas concentrações de vários moto clubes, como por exemplo o MC Covilhã – “Lobos da Neve” a Norte ou o MC Montijo na área da Grande Lisboa, sem esquecer aquela que é uma das grandes referências a nível nacional (e europeu) deste tipo de eventos, a Concentração Internacional do MC Faro, cuja primeira visita efectuei em 1999 aos comandos de uma Honda CB 500. 


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Ora vem este assunto a propósito das comemorações do 27.º aniversário do MC Lisboa (1987-2014), que decorreram no passado dia 11 de Janeiro.
Bem, não propriamente em relação ao aniversário em si, que se espera que se repita por muitos e bons anos, mas sim ao papel que este moto clube tem vindo a ter na cena motociclística local e nacional. 
Ou melhor, a ausência dele... uma vez que, bem vistas as coisas, o MC Lisboa não é um moto clube qualquer.

Sediado na capital do país (na Freguesia dos Olivais) com novas instalações desde 9 de Abril de 2001 e um protocolo celebrado com a Câmara Municipal de Lisboa a 21 de Setembro desse ano no domínio da protecção civil, a sua já longa história remonta à génese das estruturas nacionais federativas e associativas (há registos da década de 50 do século passado sobre a existência de um clube com analogias ao actual). 


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É o sócio fundador n.º 2 da Federação de Motociclismo de Portugal (11 de Maio de 1990), o organismo responsável pela promoção, coordenação e regulamentação do motociclismo nacional, que, em jeito de curiosidade, tem como sócio fundador n.º 1 o MC Sintra, grande impulsionador das motas antigas e clássicas, na vertente de coleccionismo e de competição.

Em face de tão relevante corriculum e correndo o risco de ser injusto (uma vez que não estou familiarizado com todas as suas actividades), não deixa de ser um pouco estranho que não se conheçam e/ou divulguem, pelo menos ao nível do grande público, as várias iniciativas levadas a cabo por este moto clube na Cidade de Lisboa, caso elas realmente existam. 

Mais, com o crescente número de turistas a visitarem aquela que foi recentemente uma das cidades vencedoras do Financial Times para o Investimento Directo Estrangeiro das Cidades e Regiões do Futuro 2014/2015, melhorando assim o ranking anterior, é todo um potencial turístico ao nível da hotelaria, da restauração e do comércio que é desaproveitado (veja-se por exemplo o papel que o MC Faro tem tido na prestação de serviços à comunidade e na divulgação/promoção daquela região algarvia).

Em resumo, o MC Lisboa tem sido um clube mais virado para os seus associados e algo fechado para os lisboetas em geral. É caso para perguntar: Será que têm havido acções de sensibilização para a prevenção de acidentes rodoviários, especialmente junto das camadas etárias mais jovens, tal como previsto no protocolo com a CML? Face à grande implantação que as concentrações de motas têm em Portugal, será que era assim tão descabido organizar uma em Lisboa? Ou porque não uma grande festa do motociclismo, com exposições, passeios, desfiles, provas desportivas, test drives e afins, um pouco como já se faz na invicta através do MC Porto? 

Eu, sinceramente, esperava um pouco mais...