sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Surpresa!

Em Setembro de 2009, dois irmãos decidiram restaurar a Norton Commando 750cc de 1969 que o seu Pai tinha na arrecadação em peças e, sem ele saber, reservam-lhe uma grande surpresa pelo Natal. Como não tinham a mais pequena ideia de como executar o trabalho, deixaram nas mãos dos profissionais da Classic Bike Experience a responsabilidade do restauro.


A arte do restauro: transformar isto...


... nisto, em 4 meses!

O vídeo é um pouco longo mas vale pela história e especialmente pela reacção do Pai ao receber a mota.



Uma grande aventura com muita emoção.

Fonte: Go Away Garage

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Gyro-cam

As câmaras de filmar que normalmente são colocadas nas motas dos pilotos de GP (onboard cameras) oferecem ao espectador comum a possibilidade de sentir a emoção in loco das corridas, com tendência a “participar”, ainda que de uma forma involuntária, na condução das motas sempre que estas se inclinam bruscamente para o interior das curvas do circuito.

Como estas câmaras estão fixadas às motas, as imagens por elas captadas são sempre muito espectaculares, mostrando os incríveis ângulos de inclinação atingidos por estas máquinas, embora na realidade a percepção que os pilotos têm da condução não é exactamente essa, já que as suas cabeças tendem a ficar alinhadas com o horizonte e não com as respectivas motas.

Ora é precisamente com base nesse efeito, o conhecido efeito giroscópio, que assenta o funcionamento da mais recente coqueluche da tecnologia onboard, a gyro-cam.



Montada na mota de Valentino Rossi, a gyro-cam consegue manter a linha do horizonte sempre visível, assemelhando-se mais à imagem que os pilotos têm aos comandos das suas motas, como se pode comprovar por estas imagens.

Entretanto uma destas câmaras foi literalmente arrancada da mota de Rossi por um fan menos escrupuloso, no final da prova realizada no Circuito de Misano, deixando a secção traseira da sua Yamaha YZR-M1 neste estado:



Fonte: Go Away Garage

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Botas Heschung



A marca de calçado Heschung combina a estética e a robustez com um look vintage. Os seus sapatos e botas são concebidos numa fábrica perto da localidade de Ernolsheim, uma pequena Vila da típica região do Nordeste da França da Alsácia, quase na fronteira com a Alemanha.



Eugène Heschung Steinbourg (E.H.S.) começa a sua carreira em 1920 como operário cortador numa das doze fábricas de calçado existentes na Vila de Dettwiller, na Alsácia. Em 1934 Eugène cria a sua marca, de cuja fábrica saem as primeiras botas e sapatos de trabalho concebidos manualmente utilizando o autêntico ponto de cozer norueguês ou Goodyear.



Mais tarde, na década de 50 do século passado, a marca fabrica as primeiras botas de ski em pele para caminhadas na neve e para praticantes de ski no Maciço de Vosges. Graças à qualidade dos seus produtos, Heschung tornou-se no fornecedor oficial da Equipa Olímpica Francesa entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70, conquistando nove medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno em Grenoble, França (1968) e oito nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sapporo, Japão (1972).



A Heschung viria a receber o Óscar “Export” e está representada nos mercados Europeu, Norte-americano e Japonês. Presentemente a marca possui uma gama completa de calçado para homem e mulher, numa linha de produtos de design intemporal.









Como pontos positivos temos a perfeita integração na indumentária do condutor de motas clássicas, mas como “não há bela sem senão”, o ponto mais negativo é o preço destes produtos, já que os cerca de € 600 (!) a pagar por um par destas botas é algo que não está, decididamente, ao alcance de qualquer bolsa...



Fonte: SouthSiders Motorcycle Culture

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cannonball 2010 - A aventura terminou

A primeira edição da ‘Pre-1916 Motorcycle Cannonball Endurance Run’ já faz parte da história.



A grande maratona de motas antigas através dos Estados Unidos da América chegou ao fim no passado dia 26 de Setembro em Santa Mónica, Califórnia (Costa Oeste), deixando para trás 3.294 milhas percorridas em 16 dias, desde Kitty Hawk, Carolina do Norte (Costa Este).



Das 45 motas construídas até 1915 que iniciaram este evento no dia 10 de Setembro, 37 conseguiram aguentar estoicamente toda a jornada e marcaram presença no famoso cais de Santa Mónica, onde uma multidão entusiasta aguardava a sua chegada juntamente com os respectivos motociclistas.



De entre os participantes, destaco a presença do Japonês Shinya Kimura com uma Indian de 1915 (#80), de Jim Dennie com uma magnífica e rara Militaire de 1915 (#20) e de Dale Walksler, o curador do museu Wheels Through Time, numa Harley-Davidson de 1915 (#22). Todos estes conjuntos ficaram inseridos na Classe III.


Shinya Kimura, Indian de 1915


Jim Dennie, Militaire de 1915


Shinya Kimura, Indian de 1915 e Jim Dennie, Militaire de 1915


Dale Walksler, Harley-Davidson de 1915

Os vencedores

Não tenho dúvidas que todos aqueles que chegaram ao fim dos cerca de 5.300 km desta grande maratona saíram vencedores, mas entre estes destacou-se Brad Wilmarth numa Excelsior de 1913 (#61 - Classe II) que foi “coroado” como vencedor absoluto do Cannnonball 2010, tendo sido um dos 10 motociclistas que terminou a prova com uma pontuação perfeita de 3.294 pontos, um por cada milha percorrida (o critério de desempate foi a idade mais avançada do condutor).



A classificação final das 3 Classes ficou assim ordenada:

Classe I

1º - # 31 Katrin Boehner (JAP 250cc de 1907)
2º - # 53 Vince Martinico (Pope 625cc de 1914)
3º - # 82 Paul Ousey (Harley-Davidson de 1913)

Classe II

1º - #61 Brad Wilmarth (Excelsior de 1913)
2º - #14 Alan Travis (Excelsior de 1914)
3º - #48 Joseph Gardella (Harley-Davidson de 1914)

Classe III

1º - #40 Rick McMaken (Harley-Davidson de 1915)
2º - #46 Fred Lange (Harley-Davidson de 1915)
3º - #34 Steve Huntzinger (Excelsior de 1915)

Aos primeiros classificados de cada Classe foram entregues troféus especialmente concebidos para este evento pelo artista David Uhl, com dois quadros originais para Brad Wilmarth e Rick McMaken que venceram as classes II e III respectivamente, e pelo artista Jeff Decker (ele próprio participante #21 numa Harley-Davidson de 1914 da Classe II) com uma escultura original em bronze para Katrin Boehner, vencedora da Classe I.







Aqui ficam algumas imagens e sons desta extraordinária aventura.



Fonte: Motorcycle Cannonball

Traub 1917 - A mais misteriosa

Será esta a mota mais rara? Pelo menos deverá ser a mais misteriosa.



Esta magnífica peça de engenharia é uma Traub de 1917 e, até à data, ninguém sabe exactamente a sua origem, nem é conhecida nenhuma documentação sobre a mesma.



Foi descoberta em 1967 por Torillo Tacchi, um comerciante de veículos de duas rodas, durante a remodelação de um edifício de apartamentos em Chicago. A mota encontrava-se por detrás de uma parede de tijolos!



Bud Ekins, um actor e duplo de Hollywood, adquiriu esta mota no final dos anos 70 durante a rodagem do filme ‘The Blues Brothers’.



Posteriormente foi vendida a Richard Morris, um coleccionador e restaurador de Gardena (Califórnia), que por sua vez a vendeu em 1990 a Dale Walksler, o curador do museu Wheels Through Time (localizado a 5 milhas de Blue Ridge Parkway, em Maggie Valley, NC), e é neste local que a Traub se encontra actualmente exposta.



A Traub encontra-se em excelentes condições, muito melhor que a maioria das motas da década de 10 do século passado. Possui um motor com dois cilindros em ‘V’ (V-twin) de válvula lateral com 72 cubic-inches (1180 c.c.) de capacidade, uma caixa de 3 velocidades e um único travão traseiro com duplo pistão.



Desafiado por Michael Schacht da Crocker Motorcycle Co., Richard Morris, um dos antigos proprietários da Traub, relata sua experiência com esta mota:

“Eu comprei a Traub em 1982 ao Bud por $10,000. Ele não a conseguia colocar em funcionamento. Eu levei-a ao meu amigo Dewey Bunkrud, retirámos a tampa das válvulas e... não havia touches! Fizemos umas em bronze porque não há seguidores das cames. As molas das válvulas são macias para diminuir o desgaste da came. Continua sem funcionar. Não é de admirar, o magneto estava nas lonas. Depois de carregado o magneto, Boom! Funcionou ao 2º kick!
Nota: A alavanca de descompressão situada no lado direito do guiador tem que estar pressionada, porque senão a compressão no motor é muito elevada. Os punhos são em latão em vez de borracha. Velocidade máxima de 60 mph.”



Podemos apreciar o maravilhoso som da Traub através deste pequeno vídeo, no qual Dale Walksler mostra como se coloca o V-Twin em funcionamento.



Mais uma boa razão para visitar este museu “que anda”.



Um verdadeiro museu vivo.

Fonte: Cyril Huze Blog